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Política

BE pede: “Não sejam todos Centeno”

Marcos Borga

Em desacordo com o Governo sobre a proposta para os pensionistas com muitos anos de descontos, o BE chegou a perguntar aos partidos se são “reféns deste Governo”. Com PSD, PS e CDS a votar lado a lado contra a medida, ouviu-se na bancada bloquista: “Tão amigos que eles são...”

Os parceiros de Parlamento zangaram-se e o Bloco de Esquerda acabou o debate desta tarde a dirigir-se aos deputados com um apelo: “Não sejam todos Centeno”.

O pedido aconteceu depois de o PS ter deixado claro que votaria contra um projeto bloquista para pôr em marcha a segunda fase da despenalização das reformas para quem tem muitos anos de descontos. A ideia do Bloco era obrigar o PS a votar a proposta, que foi objeto de acordo entre os parceiros de esquerda, no Parlamento, uma vez que a calendarização inicial já está atrasada (a medida deveria ter sido concretizada em janeiro, lembrou o BE).

No entanto, o PS empurrou a discussão e o cálculo do impacto orçamental da medida para o Orçamento do Estado de 2019. Na intervenção que fechou o debate, Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, teceu fortes críticas ao Governo, à direita e concretamente ao ministro das Finanças, Mário Centeno, que já tinha atacado antes por preferir ir além das metas impostas por Bruxelas a implementar medidas de 'justiça social'.

“Nós levamos a sério as nossas negociações. Não fazemos uma interpretação do que nos dizem com base em entusiasmos juvenis”, declarou o bloquista, falando concretamente sobre os acordos a que a esquerda chegou para viabilizar este Governo e acusando o PS de “rasgar os documentos escritos”.

“Acusam-nos quotidianamente de estarmos reféns do Governo”, prosseguiu Pedro Filipe Soares. Mas, quando o BE marcou este agendamento para obrigar o PS a tomar posição, tanto PS como direita teceram críticas. “Funcionam como a guarda pretoriana do ministro Mário Centeno”, atacou o líder da bancada bloquista. “Pergunto a todos: estarão reféns deste Governo ou votarão em consciência?”

O deputado também se dirigiu aos socialistas para questionar um dos argumentos utilizados para não viabilizar a proposta, ou seja, o cálculo orçamental que ainda teria de ser feito para retirar a mais uma fatia dos pensionistas o fator de sustentabilidade (um corte de 14,5% na reforma). “Acho estranho quando o PS pergunta quanto custa . Têm o mesmo documento que nós temos”, que saiu das negociações para sustentar este Governo e fixa um custa de “139 milhões de euros' e um alcance de “31600 pensionistas”. “Se leram o documento, saberão que essa era a proposta do Governo para janeiro”, defendeu Pedro Filipe Soares, defendendo que a medida é “viável” porque há um acréscimo de receitas. “Há dinheiro sim senhor, falta coragem política”, rematou.

As votações acabaram por correr como anunciado: PSD, PS e CDS juntaram-se para chumbar a medida, que mereceu voto favorável do PCP e do PEV (apesar de os comunistas terem chegado a criticar a proposta, por considerarem que 'mais recuada' do que os acordos iniciais e 'desresponsabilizadora' do Governo). Quando socialistas e direita se levantaram para votar contra, ouviam-se farpas da bancada bloquista: “Tão amigos que eles são...”.