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Bloco de Esquerda contra detenção de Lula da Silva

Sebastiao Moreira/EPA

Catarina Martins afirmou este domingo que “ prisão de Lula não tem nada a ver com luta contra a corrupção” e criticou o juiz Sérgio Moro pela decisão de prender o antigo Presidente brasileiro: “Não será Sérgio Moro a fazer a luta que o Brasil precisa”

A coordenadora do BE, Catarina Martins, afirmou hoje que a prisão do ex-Presidente do Brasil Lula da Silva “não é sobre corrupção”, considerando que está a acontecer “um golpe da direita reacionária, racista, fascista”.

“A prisão de Lula não tem nada a ver com luta contra a corrupção. Estaremos sempre na primeira linha na luta contra a corrupção, aqui e em qualquer outro lugar, mas a prisão de Lula não é sobre corrupção, porque sabemos que Temer é Presidente e, se quisermos lutar contra a corrupção, primeiramente fora Temer”, afirmou Catarina Martins, no Porto, num almoço comemorativo do 19.º aniversário do partido.

Segundo a bloquista, “a prisão de Lula não é também o julgamento da política do PT (Partidos dos Trabalhadores) e onde o PT falhou”.

“Estivemos e estamos com aqueles que condenaram o agronegócio que destrói a Amazónia e persegue os sem terra, estamos e estaremos contra os que lutaram contra o poder da banca ou das grandes construtoras, que são aqueles que estiveram na rua por transportes, por educação, contra a Copa”, sublinhou.

Para Catarina Martins, “não foi seguramente [o juiz federal] Sérgio Moro, não será Sérgio Moro a fazer a luta que o Brasil precisa”.

“Sabemos, por isso, que o que se está a passar no PT é um golpe contra a democracia, sabemos que é um golpe da direita reacionária, racista, fascista, a mesma que destituiu Dilma, que matou [a vereadora do Rio de Janeiro] Marielle e prende Lula. E aqui sabemos de que lado estamos, com todos aqueles que não desistem da democracia, a solidariedade à esquerda tem de ser sempre solidária”, concluiu.

Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a doze anos e um mês de prisão por corrupção e branqueamento de capitais e entregou-se, no sábado, às autoridades, depois de ter resistido dois dias na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo antes de se entregar, cumprindo hoje o seu primeiro dia na prisão.

O juiz federal Sérgio Moro decretou na quinta-feira a prisão do antigo chefe de Estado brasileiro (2003-2011) depois de o Supremo Tribunal Federal e o Supremo Tribunal de Justiça terem rejeitado os pedidos de 'habeas corpus' apresentados pela sua defesa.

  • 24 horas depois, Lula da Silva entregou-se à polícia

    O juiz Sérgio Moro ordenou a Lula da Silva que se entregasse às autoridades até às 21.00 (hora de Lisboa) de sexta-feira. 24 horas depois, o antigo Presidente do Brasil deixou pelo seu pé a sede do Sindicato dos Metalurgícos e entregou-se. Uma escolta de viaturas da Polícia Federal levou-o até ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde seguirá num avião para a prisão em Curitiba. O ex-presidente está condenado a uma pena de 12 anos.