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Política

José Silvano eleito com 78% de votos

nuno botelho

Novo secretário geral do PSD passou com distinção no primeiro conselho nacional da era Rio. Num discurso sem grandes novidades, Rio apontou como áreas de oposição direta ao Governo o caso Montepio, a preparação da época de incêndios e a degradação dos serviços de saúde. E recusou comentar a ausência de Santana Lopes

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

José Silvano, a segunda escolha de Rui Rio para o cargo de secretário geral após o ato falhado Feliciano Duarte, foi eleito com 78% de votos no conselho nacional, realizado na noite desta terça-feira, no Porto. O deputado e ex -autarca de Mirandela, sem anticorpos nas hostes laranja, recolheu 75 votos a favor, cinco nulos e 16 brancos num universo de 96 votantes.

No seu conselho nacional de estreia, o líder do PSD falou apenas à porta fechada, tendo recusado comentar a ausência do conselheiro Pedro Santana Lopes e remetido para Paulo Mota Pinto a divulgação do teor das intervenções apresentadas ao longo de mais de quatro horas. O presidente e porta-voz do conselho nacional salientou "a clara unidade em torno da estratégia do partido", depois do discurso inaugural de mais de 45 minutos do líder do PSD.

Rui Rio apontou como áreas prioritárias de oposição direta ao PS a degradação dos serviços de saúde por falta de meios de financiamento, a "perplexidade" com a forma como o governo está a preparar a época de incêndios e os diferentes critérios de indemnização às vítimas dos fogos de junho e outubro e ainda a utilização de recursos públicos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para financiar o Montepio Geral.

Paulo Mota Pinto negou, contudo, que a decisão de António Tavares, membro do conselho estratégico nacional do partido e provedor da santa casa da Misericórdia do Porto, de participar com 10 mil euros no Montepio tenha gerado críticas do líder do partido, referindo que o investimento da Santa Casa do Porto é privado e não público, como no caso de Lisboa.

José Silvano e Fernando Negrão foram dois dos 16 conselheiros a intervir na reunião, tendo Paulo Rangel feito o discurso mais crítico da noite. Segundo alguns dos presentes, Rangel pediu a Rio uma oposição mais dura e próxima dos acontecimentos do país real. Paulo Mota Pinto desdramatizou as críticas, alegando que foram pequenos ajustes na tática e não reparos à estratégia do líder do PSD.

Entre as reformas estruturais avançadas, Rio priorizou a justiça, segurança social e Estado como as áreas em que PSD e o PS devem tentar entendimentos, embora tenha enjeitado a reedição de um bloco central, solução que terá afirmado só fazer sentido numa situação extraordinária.

Fora da agenda estiveram os moldes de funcionamento do futuro conselho estratégico nacional, bem como a discussão de nomes para as pastas do governo-sombra. Rio garantiu que além de David Justino para a liderança deste órgão e de Arlindo Cunha para a área da agricultura, todos os outros nomes postos a circular são especulação.

Outra ausência notada, mas não surpreendente foi a de Luís Montenegro, que tal como Santana Lopes não justificou os motivos da não comparência.

Rio rematou o discurso afirmando que as eleições não se ganham, perdem-se, razão pela qual prefere não fazer oposição avulsa mas dirigida às maiores fragilidades do Governo.