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Álvaro Almeida abandona reunião contra nomeação de colega de partido para a Casa da Música

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O vereador social-democrata Álvaro Almeida abandonou deliberadamente a reunião do executivo, esta quarta-feira, em sinal de repúdio pela forma silenciosa como o presidente da Câmara do Porto “escondeu” o convite ao colega de partido Luís Osório, um dos seis deputados eleitos na lista do PSD com assento no único órgão autárquico onde os independentes não têm maioria.

Álvaro Almeida criticou o autarca por “comprometer a Câmara antes de ouvir os vereadores”, enquanto o socialista Manuel Pizarro acusou Rui Moreira de usar “critérios meramente partidários” na nomeação de Osório para administrador da Casa da Música, apesar de “nada no seu currículo” justificar a escolha. Uma posição partilhada com Ilda Figueiredo, defendendo a escolha de “uma personalidade que ninguém pusesse em causa”.

Irredutível, Rui Moreira afirmou que “tem sido hábito” da autarquia nomear pessoas de várias “colorações políticas” e que a designação é da Câmara e do Conselho Metropolitano do Porto, entidades que alega “não foram notificadas em tempo útil” para que o nome do deputado municipal laranja fosse aprovado pelo executivo antes da nomeação em Conselho de Fundadores da Casa da Música.

“A pessoa foi indicada à condição de ser aprovada. Não estamos a ratificar, estamos a votar mesmo”, disse ainda o autarca, após o protesto de Álvaro Almeida, que avisou e cumpriu que abandonaria a sala na hora da votação. O único vereador eleito pelo PSD na Câmara do Porto acusou o presidente de “comprometer a autarquia ao não ouvir todo o executivo”.

“Colocar isto a votação é extemporâneo, não faz sentido nenhum. Mesmo numa situação de urgência, podia por educação ter contactado informalmente os vereadores”, comentou Almeida,.

Manuel Pizarro também não escondeu a “surpresa” dos socialistas com a personalidade escolhida” para suceder a Rosário Gamboa e, antes dela, a Maria Amélia Cupertino de Miranda, como representantes da Câmara na Casa da Música e “cujos percursos cívicos e culturais sustentavam por si só as escolhas”. Por isso, Pizarro anunciou que o PS iria votar contra, “a não ser” que Rui Moreira explicasse bem os motivos da nomeação.

“Luís Osório, que eu saiba, é deputado eleito pelo PSD na AMP. É o número quatro da lista. Lidera uma estrutura do PSD. Tem sido hábito desta Câmara escolher pessoas de várias colorações políticas e é uma pessoa idónea que ocupa um cargo nesta câmara”, retorquiu o presidente da autarquia, concluindo Pizarro que Rui Moreira apenas mencionara “critérios meramente partidários, respeitáveis, mas que o PS não acompanha”.

Por seu lado, Ilda Figueiredo observou que a Câmara devia preocupar-se em ter na administração na Casa da Música uma personalidade que ninguém pusesse em causa pela sua ligação à cultura, independentemente da sua cor partidária. “Quando olhamos para o currículo do escolhido não vemos nada disso, o que é algo débil.”

Luís Osório, licenciado em gestão de empresas pela Universidade Católica Portuguesa, fez uma pós-graduação em gestão da saúde no ano passado.O social-democrata refere no seu currículo ter começado a sua carreira no departamento comercial de uma agência de viagens, passando depois a ser sócio-gerente da TimeBreak 2 – Distribuição Alimentar, Lda. Segundo a Lusa, de outubro de 2007 a janeiro de 2012, Osório foi diretor-geral da empresa “ScoreMusic”, do grupo Fifanta, organizadora de espetáculos de música. O social-democrata trabalhou até recentemente na AENOR Portugal, enquanto responsável comercial e de 'marketing'.