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Adjunto da Proteção Civil que foi desmentido por ex-secretário de Estado vai ser ouvido no Parlamento

Comandante que parou a fita do tempo em Pedrógão e chefiou as operações nos fogos de outubro disse à Comissão Técnica Independente que o Governo recusou pedidos de reforço de meios. Jorge Gomes, antigo secretário de Estado da Administração Interna, desmentiu as informações

O comandante que mandou parar a fita do tempo em Pedrógão, entretanto nomeado adjunto do presidente da Autoridade de Nacional de Proteção Civil, vai ser ouvido pelos deputados. Albino Tavares será chamado ao Parlamento a pedido do CDS, depois de, na semana passada, a informação que prestou à Comissão Técnica Independente responsável pela investigação aos fogos de outubro ter sido desmentida pelo ex-secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.

Os centristas apresentaram no Parlamento um requerimento, aprovado com a abstenção do PS, em que lembram que Albino Tavares - comandante operacional nacional interino na altura dos fogos de 14, 15 e 16 de outubro - disse à CTI que o Governo teria recusado pelo menos por duas vezes os seus pedidos de reforço de meios para combate aos incêndios. E, recorda também o CDS, o então secretário de Estado da Administração Interna e hoje deputado Jorge Gomes veio desmentir essa informação. No requerimento aprovado esta quarta-feira, lê-se que também o ex-governante poderá ser chamado ao Parlamento, numa lógica de confrontação das duas partes para apurar a verdade.

A ida de Jorge Gomes à audição depende apenas da sua “aceitação” da ideia, assegura Telmo Correia ao Expresso, lembrando que esta é uma “oportunidade única” para o ex-governante dar a sua versão dos factos e se “resolver a polémica de quem fala a verdade”.

Jorge Gomes acusou na semana passada a CTI de ter incluído informações falsas no seu relatório final e de não ter pedido o contraditório ao Governo, assegurando em conferência de imprensa que “nada do que aconteceu foi por falta de meios, tudo o que aconteceu foi porque não havia forma de conter a dimensão [dos fogos]”.

Na semana passada, durante um debate sobre fogos no Parlamento, o deputado centrista Telmo Correia focou boa parte da sua intervenção neste desentendimento. “É fundamental que os portugueses tenham confiança na Proteção Civil e não é com um a chamar mentiroso a outro que essa confiança se conquista”, frisou. “O Governo não pode continuar a assistir ao espetáculo lamentável de quem troca acusações.”

Além de ter sido o segundo comandante operacional nacional nos fogos de junho, em Pedrógão, e de ter sido o comandante interino durante os fogos de outubro, no final de fevereiro Albino Tavares foi nomeado adjunto da Proteção Civil pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita.