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Parlamento condena atentado em França e homenageia polícia que substituiu refém

ERIC CABANIS

O documento, apresentado pelo presidente da Assembleia da República, foi aprovado por unanimidade e há referência à situação grave em que se encontra o cidadão português Renato Silva, um dos feridos do ataque terrorista

O Parlamento aprovou esta quinta-feira, por unanimidade, um voto de condenação e pesar pelo atentado da passada sexta-feira no sul de França e outro de homenagem ao tenente-coronel da Gendarmerie (força de segurança francesa) Arnaud Beltrame, que morreu após substituir um refém.

No voto de condenação e pesar, o Parlamento refere que o atentado de sexta-feira no sul de França provocou quatro mortos, incluindo o atacante, e 16 feridos, entre os quais “o cidadão português Renato Silva, de 26 anos, natural de Coimbra”, que “continua em estado grave”.

No texto, apresentado pelo presidente da Assembleia da República, os deputados expressam “profunda consternação” e “condenação” por este atentado e transmitem “sincera solidariedade às autoridades e ao povo francês”, considerando que “o terrorismo é uma ameaça global que exige respostas globais e cooperativas”.

A Assembleia da República “reafirma o compromisso de Portugal no combate ao terrorismo e sublinha a ação determinada e corajosa das autoridades policiais francesas, em particular do tenente-coronel Arnaud Beltrame, que perdeu a vida ao trocar de lugar com um refém”.

Num segundo voto, de louvor, apresentado pelo CDS-PP, a Assembleia da República presta homenagem a este oficial da polícia francesa enaltecendo a “bravura admirável” e “o altruísmo” que manifestou quando “trocou voluntariamente de lugar com uma das reféns”, gesto que “resultou tragicamente na sua morte, salvando com esse seu gesto a vida daquela mulher”.

Arnaud Beltrame “tornou-se um exemplo singular na luta contra a ameaça do terrorismo jihadista”, lê-se no texto, através do qual o parlamento se associa às homenagens a este tenente-coronel “e nele presta o reconhecimento público a todos os elementos das forças e serviços de segurança europeus que arriscam perder a sua vida ao serviço dos outros”.

O ataque de sexta-feira passada no sul de França, reivindicado pelo Estado Islâmico, ocorreu num supermercado em Trèbes, onde o atacante, Redouane Lakdim, de 25 anos, acabou abatido a tiro pelas forças policiais, depois de ter feito reféns, dois dos quais morreram.

Antes disso, o atacante tinha roubado uma viatura, matando um passageiro e ferindo gravemente o condutor, o cidadão português Renato Silva, em Carcassonne.

No sábado, o tenente-coronel Arnaud Beltrame, de 44 anos, que se propôs tomar o lugar de uma mulher e foi gravemente ferido a tiro e esfaqueado pelo atacante, sucumbiu aos ferimentos, elevando para cinco o número de mortos.

Na sexta-feira ao fim da tarde, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, disse à agência Lusa que as autoridades francesas tinham confirmado aos serviços consulares portugueses a morte de um cidadão português, mas horas depois informou que, afinal, não havia portugueses entre os mortos.

“Trata-se de uma vítima portuguesa que está gravemente ferida no hospital”, declarou José Luís Carneiro, acrescentando que o português, “felizmente, não pereceu neste ataque terrorista” e que a informação anterior incorreta resultara de um erro de comunicação das autoridades francesas com os serviços consulares de Toulouse.

A mãe do português baleado já tinha afirmado à Lusa que o filho estava hospitalizado em estado grave e que o morto no carro onde os dois viajavam era de nacionalidade francesa.