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PSD pede expulsão de diplomatas russos

Foto António Pedro Ferreira

Fernando Negrão defendeu que o PS está limitado pelos acordos à esquerda e pediu expulsão de diplomatas russos. PSD vai chamar MNE ao Parlamento com urgência

Fernando Negrão, líder parlamentar do PSD, classificou esta quarta-feira a posição do Governo português em relação à Rússia como "tímida e condicionada". Tímida porque "se limitou a condenar [a Rússia] e não foi mais longe", imitando os países seus aliados que, no contexto do caso Skripal, expulsaram diplomatas russos. E condicionada porque, segundo o PSD, o Governo não tem uma posição mais dura graças às alianças com os parceiros de esquerda.

No Parlamento, Fernando Negrão lembrou que "a maioria dos países [europeus] prestou solidariedade ao Reino Unido, expulsando diplomatas russos" depois de conhecido o caso do envenenamento de um ex-agente russo e da sua filha em território britânico, usando uma arma química "proibida por todo o direito internacioanl e que não era usada na Europa desde a segunda guerra mundial".

Portugal, que para já se limitou a chamar o seu embaixador em Moscovo e avisou que a decisão está ainda "em curso", não fez, para o PSD, o suficiente. "A posição do PSD é que devemos alinhar com a maioria daqueles com quem temos estado sempre. O PSD recomenda ao Governo que expulse diplomatas russos".

Para os sociais-democratas, se o Governo e o PS ainda não o decidiram fazer é porque estão limitados pela geringonça: "[O Governo] não foi mais longe em consequência da aliança que tem com dois partidos que estão do lado errado", defendeu Negrão, lembrando a raíz "atlantista" e europeísta do PS e pedindo que "regresse à sua posição de defensor da relações europeias".

Fernando Negrão anunciou ainda que o PSD irá chamar o MInistro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao Parlamento para pedir explicações sobre o caso. Praticamente ao mesmo tempo, na Comissão de Assuntos Europeus, a deputada social-democrata Rubina Berardo adotava o mesmo tom para criticar o "cinzentismo"da posição portuguesa, depois de nas primeiras reações ao caso o PSD se ter mostrado dividido.

  • Embaixador português em Moscovo chamado a Lisboa

    Em entrevista à RTP e à SIC Notícias, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, explicou que Portugal “usa da prudência” no plano bilateral de forma a “defender os interesses nacionais”. Questionado sobre esses interesses, limitou-se a afirmar que este é um assunto em que o país é soberano e lembrou a “lógica de não confrontação que caracteriza há muito” a política externa portuguesa

  • Vice-presidente da bancada do PSD e presidente da comissão de Defesa pedem cautela e esperam por explicações do Governo. Rangel critica o “jogo ideológico” que fez Portugal demarcar-se dos seus aliados, Hugo Soares fala em “cobardia”, Pinto Luz considera posição de Lisboa “inconcebível”

  • “Portugal não pode singularizar-se. Terá de apresentar fortes justificações para não expulsar diplomatas russos”

    Diplomata desde 1971, António Martins da Cruz, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de Durão Barroso, diz “nunca ter visto um movimento de retaliações diplomáticas a este nível, nem no tempo da União Soviética”. Diana Soller, investigadora associada do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), refere ao Expresso que Portugal, que optou - pelo menos por enquanto - por não expulsar ninguém, “perdeu uma oportunidade de fazer parte de um grupo de países que quer repor o direito internacional”