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Política

MAI anuncia compra de 240 viaturas para combater fogos florestais

No Parlamento, oposição acusou Governo de pintar um quadro cor-de-rosa sobre a resposta aos incêndios. Governo garantiu que assume “todas as responsabilidades”

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, foi esta quarta-feira ao Parlamento para debater com os deputados sobre o relatório da Comissão Técnica Independente sobre os fogos de outubro do ano passado, que mataram 49 pessoas, para assegurar que o Governo tirou as lições devidas: "Estamos a fazer mais do que nunca".

Foi a ideia que Cabrita fez questão de passar repetidamente na intervenção que abriu o debate. Depois de frisar que os fogos se deram em "condições meteorológicas extremas", proliferando "num território muito vasto", o ministro assegurou que o Governo "assume o compromisso de execução da linha essencial das medidas propostas" no relatório.

"Tudo o que tem sido feito pelo Governo, com a colaboração em muitos casos da AR, relativamente aos incêndios, determina uma resposta que corresponde ao acompanhamento quer já da esmagadora maioria das propostas do primeiro relatório, quer até a antecipação de parte significativa das propostas do segundo relatório", frisou o governante, chamando mesmo ao que "já aconteceu dese outubro" uma "grande vitória para a sociedade portuguesa".

E o que aconteceu? Cabrita enumerou as mudanças - em primeiro lugar, defendeu que "a prioridade dada à prevenção nunca tinha assumido esta dimensão", lembrou o novo programa Aldeia Segura, a alteração nos alertas e maior articulação com o IPMA, a mobilização de mais bombeiros e guardas florestais, 140 novas viaturas para estruturas de combate ou novas antenas para o SIRESP.

Apesar de o quadro pintado pelo ministro ter sido otimista, o PSD logo respondeu com ironia, dizendo que parecia estar a ouvir falar do "paraíso do Governo". "O relatório desmente categoricamente o que acabou de dizer", disse a deputada Emília Cerqueira, concluindo que o Governo "falhou clamorosamente" e voltando a pedir "um sincero pedido de desculpas".

No CDS, mais críticas: desta vez, em vez do paraíso falou-se de um "disco riscado" que passa à frente todo o corpo do relatório, onde se tecem críticas à falta de prevenção e à falta de meios para combate. "Começa pelo princípio, fala no fim, mas sobre todo o corpo do relatório... zero. Começa por dizer condições extremas, únicas, furacão Ophelia... e salta para medidas do Governo", disse o deputado Telmo Correia, dirigindo-se ao ministro. E perguntou pelas contradições dentro do próprio PS, depois de Jorge Gomes, antigo secretário de Estado da Administração Interna, ter dito na semana passada que o relatório continha erros.

No BE e PCP, novas críticas. O bloquista preferiu sublinhar que as falhas vêm de "décadas de políticas de Governos sucessivos", enquanto os comunistas frisaram que o Governo não deve "passar as culpas para os pequenos e médios produtores florestais e as responsabilidades para as autarquias".

"O Governo assume todas as responsabilidades e tira todas as conclusões", respondeu depois Eduardo Cabrita. "Por isso estamos a fazer, intensamente, desde o Conselho de Ministros extraordinário de outubro tudo para que o futuro seja diferente e sobretudo para que este ano seja diferente".