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PSD a duas vozes sobre expulsão de diplomatas russos

Vice-presidente da bancada do PSD e presidente da comissão de Defesa pedem cautela e esperam por explicações do Governo. Rangel critica o “jogo ideológico” que fez Portugal demarcar-se dos seus aliados, Hugo Soares fala em “cobardia”, Pinto Luz considera posição de Lisboa “inconcebível”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, promete "prudência" no caso dos diplomatas russos e a direção do PSD compreende. Apesar de algumas vozes sociais-democratas se terem apressado a condenar a ausência de uma posição de firmeza de Lisboa, que não acompanhou os países parceiros da NATO que expulsaram diplomatas russos em retaliação pelo envenenamento no Reino Unido do ex-espião Sergei Skripal,numa ação imputada às autoridades de Moscovo, as vozes oficiais do PSD são tão cautelosas como o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Rubina Berardo, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD com o pelouro das relações externas, disse ao Expresso que, antes de fazer uma avaliação e tomar uma posição definitiva, o partido precisa de conhecer os fundamentos da posição comunicada por Augusto Santos Silva. "Para já, ainda não temos informação suficiente por parte do Governo para fazer uma avaliação", justifica.

Esta quarta-feira, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus estará no Parlamento, para responder aos deputados sobre o Conselho Europeu da semana passada - onde a condenação do caso Skripal foi um dos temas - e, se não for antes, o PSD espera obter nesse momento as explicações devidas. "Essa será a prioridade nas perguntas do PSD", garante Rubina Berardo. "A maioria dos países está a tomar uma decisão de expulsão; outros, entre os quais Portugal, que não o fizeram, por isso queremos saber os fundamentos desta atitude. Só o governo está na posse de toda a informação necessária e cabe-lhe informar o Parlamento. Só com base nisso tomaremos uma posição", diz a deputada.

Cuidado com as escaladas, avisa presidente da comissão de Defesa

Também Marco António Costa, o social-democrata que preside à comissão Parlamentar de Defesa, é poupado nos comentários, mesmo tendo em conta que a NATO já deu ordem de expulsão a sete diplomatas russos.

"No plano dos princípios, devemos ter algumas cautelas em introduzir movimentos de escalada relativamente a situações de tensão com a Rússia, portanto, não conhecendo em profundidade os reais fundamentos da decisão portuguesa, e não a podendo, por isso, avaliar, julgo que é preciso alguma ponderação", avisa Marco António Costa.

"Jogo", "cobardia", "inconcebível"

O eurodeputado Paulo Rangel foi a primeira voz do PSD a insurgir-se contra a ausência de uma posição de força do governo português, à semelhança da maioria dos parceiros da NATO. Em declarações à Renascença, Rangel considerou esta decisão “totalmente inexplicável”, a não ser no contexto de um “jogo ideológico” por causa dos equilíbrios dentro da atual maioria.

“A primeira coisa que me ocorre é que, sendo o Governo sustentado por dois partidos que são contra a integração europeia, que são contra a integração de Portugal na NATO, está a fazer jogo ideológico com uma matéria que é fundamental para a geopolítica portuguesa”, disse Rangel.

Para o eurodeputado, "o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a falar contra a tradição da diplomacia portuguesa", tendo em conta que "Portugal é um aliado histórico do Reino Unido, é membro da NATO, tem também uma relação preferencial com os Estados Unidos e noutras situações similares nunca deixou de ser solidário com estes países”. Londres, avisa Rangel, "tomará ‘boa nota’" desta atitude.

Menos elaborado, o ex-líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, partilhou na sua página de Facebook uma notícia sobre um conflito com a Rússia em 1980, quando Sá Carneiro, o então primeiro-ministro, respondeu expulsando diplomatas de Moscovo, e deixou o seguinte comentário: "Quando a covardia (sic) política e a falta do 'dever' andam de braço dado com a conveniência (o mesmo é dizer PS, BE e PCP) é tão arejado e reconfortante lembrar a coragem e a determinação..."

Também na sua página de Facebook, Miguel Pinto Luz, vice-presidente da câmara de Cascais e ex-líder da distrital de Lisboa do PSD, considerou "inconcebível a posição neutral de Portugal perante este tema". E foi mais longe, num post escrito na manhã desta terça-feira: "É inconcebível o Governo Português estar refém dos seus parceiros de coligação. Já sabíamos que em matéria de política doméstica o Governo estava condicionado. Agora observamos que, no que diz respeito à Política externa, Portugal está dependente das decisões do PCP e do Bloco de Esquerda."