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Marques Mendes sobre o caso Montepio: “O que é que se está a esconder?”

O comentador político estranha o facto de a avaliação independente feita ao Montepio pelo banco Haitong ainda não ter sido tornada pública. Esta falta de transparência, avisa, pode vir a levantar suspeitas de gestão danosa. E aponta para o facto de “haver um recuo enorme” no processo de compra do Montepio pela Santa Casa da Misericórdia

"O que é que se está a esconder?", questionou Luís Marques Mendes, este domingo, no seu espaço de comentário político na SIC, referindo-se à avaliação independente, encomendada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) ao banco de investimento chinês Haitong, a operar em Portugal. "Parece que essa avaliação só está nas mãos do Provedor da Santa Casa. Porque não se mostra? E como é que o Governo vai aprovar, então, uma operação sem conhecer essa avaliação?", voltou a perguntar o ex-presidente do PSD.

O comentador acredita que, se a entrada da Santa Casa no Montepio não for bem explicada e tratada de forma transparente, este processo poderá levantar "suspeitas de má gestão e gestão danosa". Para Marques Mendes, "já houve um recuo enorme" do Governo nesta matéria, uma vez que o plano inicial era comprar 10% do capital do banco, por 200 milhões de euros. Agora, o que está em cima da mesa - e que está a ser ultimado e estará "fechado a muito curto prazo", segundo Marques Mendes, que avançou que, esta sexta-feira o Provedor da SCML, Edmundo Martinho, esteve reunido com Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, para fechar os últimos pormenores do dossiê - é a compra de 1% do capital do banco, por 18 milhões euros a 20 milhões. "É só para salvar a face", aponta.

Marques Mendes, contudo, continua a questionar o valor. "Então, 100% do banco vale 2 mil milhões de euros", aponta. O problema "é que não vale isso", refere, comparando o Montepio com o BPI, que vale 1,7 mil milhões de euros em bolsa "e tem o dobro da quota de mercado". No máximo, o Montepio "vale metade, 800 milhões ou 900 milhões", refere o comentador. De outra forma, o Governo só estará a levantar "a suspeitas de favorecimento", de "má gestão" ou "gestão danosa"

Por isso, defende, “este processo exige transparência”, defende. "Este é um tema central e dos mais difíceis para o Governo”, acrescentou Marques Mendes, dizendo que este será uma operação “ainda vai dar muito que falar ". A “procissão ainda vai no adro”, avisou.