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Álvaro Almeida reprova “estatização desenfreada” de serviços de Rui Moreira: “Algo que já não se via desde o verão de 1975”

Vereador do PSD criticou esta quarta-feira o plano de estatização da Câmara do Porto ao reverter a gestão privada de dois parques de estacionamento para a alçada municipal. A proposta foi aprovada em reunião de executivo com os votos da maioria independente e da CDU

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A vereação socialista da Câmara do Porto e Álvaro Almeida, do PSD, chumbaram a proposta de reversão para o domínio autárquico dos parques de estacionamento dos Poveiros e do Palácio de Cristal, cuja concessão a privados irá terminar em maio. O único vereador laranja no executivo reprovou a opção política de Rui Moreira por acreditar “nas virtudes do mercado, mais eficaz do que as câmaras na gestão centralizada de serviços”.

Álvaro Almeida confessou-se surpreendido com a deriva “de estatização desenfreada” de Rui Moreira, que antes dos referidos parques de estacionamento também optou por não renovar a concessão a privados da recolha de lixos e limpeza urbana. “É algo que já não se via desde o verão de 1975”, lembrou o vereador recém-filiado no partido, acrescentando ser curioso o posicionamento de esquerda dos independentes na área económica, entre os quais nomeou a vereadora candidata à liderança da concelhia do CDS/Porto, Catarina Araújo.

Ilda Figueiredo votou ao lado da vereação independente, o que já era esperado por se enquadrar na “ideologia legítima da CDU”, conclui Álvaro Almeida, igualmente crítico do sistema e preçário de tarifas para os parques dos Poveiros e do Palácio de Cristal. Os votos contra da vereação do PS foram justificados pela falta de coerência no tarifário dos parques, que Manuel Pizarro afirma não desencorajarem o estacionamento à superfície, “conforme a estratégia de mobilidade defendida pela autarquia”.

Em causa está a tarifa de 1 euro/hora para o estacionamento de rua, enquanto nos parques subterrâneos custará 1.20 euros. “Não é assim que se estimula os condutores a não estacionar na rua”, frisou Pizarro. A vereadora da Mobilidade, Cristina Pimentel, sustentou que a política tarifária é consentânea com a que já foi aprovada para os restantes parques à superfície, preços que diz serem extremamente favoráveis para moradores e comerciantes (30 euros de avença mensal, com 20% de desconto para veículos elétricos). Um desconto que a CDU e o PS consideram que deveria ser superior.