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Política

Sexismo na PSP? Sindicato contraria ministro

MAI garante que exclusão da sub-comissária Marisa Pires do curso de acesso ao Corpo de Intervenção da PSP decorreu da aplicação do regulamento e garante que PSP tem instalações adequadas às mulheres. Sindicato protesta

Nuno Ramalho

O Ministério da Administração Interna (MAI) desmente que tenha havido sexismo no afastamento de uma mulher do curso para o Corpo de Intervenção da PSP e garante que tudo não passou de uma "aplicação do regulamento". Em resposta a um requerimento do PCP, o Governo reitera que existem condições para homens e mulheres nas forças policiais. O Sindicato Unitário da Polícia considera, porém, que a resposta do MAI pode induzir em erro.

Caso completasse o curso para o Corpo de Intervenção da PSP com sucesso, a sub-comissária Marisa Pires seria a primeira mulher a integrar a elite daquela força policial. A sua exclusão foi recebida com surpresa, pois a sub-comissária de 27 anos superou as provas físicas e teóricas do curso, com resultados superiores a alguns dos participantes do sexo masculino - segundo informações avançadas em fevereiro pela comunicação social.

Este caso desencadeou críticas e acusações (nomeadamente de sexismo) à PSP, manifestações de solidariedade para com a sub-comissária nas redes-sociais, e um pedido de esclarecimento do PCP - nas figuras dos deputados Rita Rato e Jorge Machado - ao MAI sobre o caso. Em resposta, o MAI garantiu, esta segunda-feira, que a exclusão de Marisa Matias, "decorre da aplicação do regulamento de frequência do Curso de Ordem Pública", induzindo a uma alegada exclusão por faltas, como já tinha sido referido no comunicado feito pela PSP à data dos factos, esclarecendo que Marisa Pires "foi eliminada deste curso por aplicação das regras de avaliação constantes do regulamento de frequência do mesmo, na sequência de duas avaliações negativas, consecutivas, cujos motivos lhe foram comunicados".

Na resposta aos deputados, o MAI garante ainda que "as instalações policiais, incluindo a Unidade Especial de Polícia, dispõem de separação para homens e mulheres, designadamente no que se refere a balneários, instalações sanitárias e de pernoita", afastando assim a ideia de que a sub-comissária em formação seria a única aluna do curso a dormir em casa por falta de instalações adequadas.

O presidente do Sindicato Unificado da Polícia (SUP), Peixoto Rodrigues, considera que o esclarecimento do MAI pode induzir em erro, sublinhando que "o Corpo de Intervenção faz parte da Unidade Especial de Polícia mas tem instalações diferentes".

Em declarações ao Expresso, o dirigente sindical garante que ainda que as instalações do Corpo de Intervenção possam ser adaptadas para receber uma mulher - nomeadamente porque dispõem de casas de banho privadas em cada um dos quartos - não será totalmente verdade que a PSP "disponha de separação para homens e mulheres" naquelas instalações.