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Portugueses em missão no Golfo da Guiné

Dois navios, um avião e 342 homens participam a partir desta quarta-feira num exercício militar no Golfo da Guiné, com mais 32 países

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Golfo da Guiné vai ser o palco de um grande exercício militar, o Obangame Express 18, no qual participarão 342 militares portugueses (311 da Marinha e 31 da Força Aérea). Pela primeira vez estarão três navios e um avião P-3C de vigilância marítima, anuncia o Estado-Maior General das Forças Armadas

O exercício, organizado pelo comandante das forças navais norte-americanas para a Europa e África e 6ª Esquadra, decorre entre 21 de março e 3 de abril e simulará várias operações militares no mar, um reflexo da crescente atenção que a segurança nesta região do globo está a suscitar.

A Marinha portuguesa, que desde há alguns anos participa em exercícios regulares nesta zona, está desde há meses com a fragata Álvares Cabral a fazer a capacitação da guarda costeira de S.Tomé e Príncipe. Aliás, um dos exercícios consistirá, precisamente em abordagens de militares são tomenses a navios dos Camarões e do Brasil.

O objetivo do exercício é precisamente promover a segurança na região, através da capacitação dos países do Golfo da Guiné na área da segurança marítima e do combate às atividades ilícitas no mar, com destaque para o combate à pirataria, narcotráfico e exploração abusiva dos recursos marinhos, bem como a proteção das bases de exploração petrolífera existentes na região.

O Obangame Express, que já vai na sua 5ª edição, contará este ano com a participação de Angola, Benim, Cabo Verde, Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Gambia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Namíbia, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Togo, República do Congo, República Democrática do Congo e Serra Leoa. Da Europa participam Alemanha, Bélgica, Brasil, Canada, Dinamarca (estes dois últimos pela primeira vez), Espanha, França, Marrocos, Holanda, Noruega, Espanha e ainda a Turquia e EUA.

No Golfo da Guiné situam-se 4.000 milhões de metros cúbicos de reservas de gás natural. É nesta região que tem origem cerca de 50% da produção de petróleo do continente africano, representando 10% da produção mundial, estimando-se que desde 2013 são perdidos por dia 40.000 barris devido à pirataria e ao roubo.

Aproximadamente 40% do volume de peixe capturado nas águas da África Ocidental são provenientes de pesca ilegal, representando uma perda anual de mais de 1,5 milhões de dólares para os Estados da região, informa ainda a nota do EMGFA.