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Rio escolhe secretário-geral com perfil “pacificador”

Nuno Botelho

Sucessor de Barreiras Duarte deverá ser anunciado nas próximas horas. Líder do PSD não quer escolher alguém do seu núcleo mais próximo, para dar um sinal de pacificação em relação aos setores críticos do partido. E para prevenir um chumbo no Conselho Nacional

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O PSD deverá anunciar nas próximas horas quem irá substituir Feliciano Barreiras Duarte como secretário-geral do partido. A escolha, que estará fechada esta segunda-feira, não deverá recair sobre um incondicional de Rui Rio. Ou seja, estarão fora de jogo os primeiros nomes que circularam na comunicação social - o deputado Adão Silva e o membro da Comissão Política Nacional Maló de Abreu, ambos amigos pessoais de Rio há muitos anos e seus apoiantes de primeira hora.

Adão é considerado uma peça essencial no grupo parlamentar, onde é o braço-direito do novo líder, Fernando Negrão, e Maló, que foi uma das vozes mais críticas em relação à vozes rebeldes na bancada parlamentar, seria visto como uma declaração de guerra de Rio aos setores críticos

Segundo o Expresso apurou, Rui Rio sente que precisa de dar sinais de abertura aos setores críticos. Isso não significa que vá buscar um crítico para um lugar que é de absoluta confiança pessoal do líder do partido, mas alguém capaz de fazer pontes e que não represente um fechamento ainda maior do núcleo mais próximo de Rio.

Controlar riscos no Conselho Nacional

Para além de querer descrispar o ambiente, Rio é forçado pelas circunstâncias: o novo secretário-geral terá de ser aprovado no dia 28 no Conselho Nacional, onde o líder do PSD está muito longe de controlar a maioria dos membros. Pelo contrário: se os setores críticos se unirem, podem chumbar a escolha de Rio, o que seria um novo revez político num início de mandato que já está a ser suficientemente atribulado.

Depois do líder parlamentar escolhido por Rio, Fernando Negrão, ter sido eleito por uma minoria dos deputados, a direção do PSD quer evitar a repetição do cartão amarelo.

O novo secretário-geral começará de imediato o seu mandato, como "interino", passando a efetividade de funções depois do aval do Conselho Nacional.

Rui Rio, que vai esta quarta e quinta-feira a Bruxelas, não deverá ainda fazer-se acompanhar pelo sucessor de Barreiras Duarte.