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Feliciano Barreiras Duarte na corda bamba

Rui Rio fotografado numa reunião de trabalho com Barreiras Duarte (e Carvalho Martins, seu amigo pessoal e membro da CPN) em janeiro

Nuno Botelho

Secretário-geral faltou à reunião da Permanente, onde o tema nem existiu. Na direção temem-se mais desenvolvimentos do caso

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Feliciano Barreiras Duarte não esteve na reunião desta semana da Comissão Permanente do PSD, realizada na terça-feira. Foi o dia em que o caso que abala a reputação do secretário-geral do PSD teve o principal desenvolvimento: a abertura de uma investigação, entregue ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. Ao que o Expresso apurou, entre os membros da Permanente havia a expectativa de que Barreiras Duarte pudesse dar explicações sobre as suspeitas de que é alvo desde que o jornal “Sol” revelou que, ao contrário do que afirma há uma década no seu currículo, Feliciano nunca foi visiting scholar da Universidade da Califórnia. O social-democrata não só nunca teve esse estatuto, como o documento que apresentou para reiterar a sua versão não passa de um convite para um programa de doutoramento em que nunca participou. Pior: a alegação de que seria investigador da instituição norte-americana voltou a ser feita no âmbito do mestrado que Barreiras Duarte fez na UAL, e terá sido levada em conta para o dispensar de assistir a aulas — por essa razão, a universidade revelou que está a rever as condições em que lhe conferiu o mestrado.

Não só Barreiras Duarte não foi à Permanente, como o assunto não foi sequer abordado na reunião, sabe o Expresso. Foi como se o tema que mais embaraçou o PSD na última semana não existisse. Ao contrário do que aconteceu com as suspeitas em torno de Elina Fraga: Rio deu-lhe a palavra e, perante a Permanente e a Comissão Política Nacional, Elina esclareceu cada pormenor da investigação de que é alvo.

No domingo, quando foi ao congresso do CDS, Rio desvalorizou o affair Feliciano, resumindo tudo a uma informação que estaria a mais no currículo e que Barreiras Duarte já havia corrigido. Porém, a situação do secretário-geral é considerada muito delicada, mesmo no inner circle de Rui Rio. Sobretudo por haver receio de que possam surgir novas revelações comprometedoras sobre o passado do secretário-geral. Barreiras Duarte foi um elemento decisivo na campanha de Rio e um dos seus colaboradores mais próximos desde os primeiros passos da candidatura. E, no processo de reorganização que Rio quer lançar no PSD, continuaria a ser uma peça central. Mas ninguém põe as mãos no fogo pela sua permanência em funções.

Para já, Feliciano não se demite e mal tem sido visto. Faltou à Permanente, faltou à reunião da comissão parlamentar a que preside (Trabalho e Segurança Social), foi substituído num debate sobre trabalho em que devia ter falado em nome do PSD e, no debate quinzenal, deixou-se ficar na última fila. Há duas semanas, estava na primeira, ao lado de Negrão. A questão, agora, é se ficará discretamente em segundo plano ou se acabará por sair de vez da fotografia.