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Ordem culpa Finanças por falta de psicólogos e diz que Centeno fez autocrítica

A Ordem dos Psicólogos culpa as Finanças pela ausência de concursos para os prometidos profissionais a contratar para a Saúde em 2017 e 2018 e lê como uma autocrítica as declarações de Mário Centeno sobre gestão na saúde

O bastonário dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, lamenta que não tenha sido aberto qualquer concurso para os quase cem psicólogos prometidos para 2017 e para este ano para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para 2017 tinha havido o compromisso de contratar 55 psicólogos e este ano deviam ser contratados mais 40 para o SNS.

O bastonário dos Psicólogos diz que chegaram a ser desencadeados pelo Ministério da Saúde os procedimentos relativos aos profissionais que deviam ser contratados no ano passado, sem que nada tenha acontecido.

"Não abriu nada porque não houve autorização do Ministério das Finanças", afirmou Francisco Miranda Rodrigues em declarações à agência Lusa.

O bastonário afirma ter ficado "bastante surpreendido" e até estupefacto com as declarações, na quarta-feira, do ministro das Finanças sobre a gestão na área da saúde.

"Não sei se se referia a má gestão na saúde ou da saúde. Será difícil fazer uma gestão da saúde quando praticamente todas as decisões, nomeadamente ao nível das contratações, carecem de autorização por parte do Ministério da Finanças. A menos que o ministro das Finanças estivesse a fazer uma autocrítica, provavelmente foi isso", disse.

O representante dos psicólogos questiona mesmo quem determinará a efetiva execução das políticas de saúde, educação ou justiça em Portugal, se serão os ministros das respetivas pastas ou o ministro das Finanças.

Na quarta-feira, o ministro das Finanças admitiu no parlamento que possa haver situações de má gestão no Serviço Nacional de Saúde e que, nesse caso, têm de ser avaliadas, adiantando que foi criada uma unidade de missão para avaliar a dívida na Saúde.
"Pode seguramente haver má gestão, na verdade, e temos de olhar para ela", disse Mário Centeno, na comissão de Trabalho da Assembleia da República.

Em posteriores declarações também na quarta-feira, Centeno disse estar a trabalhar com a tutela da Saúde para melhorar a gestão financeira do sector, "sem pôr em causa o serviço", tendo em conta o aumento da dívida.