Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Cristas questiona Costa sobre vítimas dos incêndios “persuadidas” a aceitar indemnizações mais baixas

MANUEL DE ALMEIDA/ LUSA

Costa felicitou Cristas pelo "impacto mediático" do congresso do CDS e referiu a "ambição" demonstrada pela líder. Cristas respondeu com críticas à gestão da prevenção dos incêndios, reforma do interior ou Saúde

Assunção Cristas e António Costa envolveram-se esta tarde numa troca de farpas rápida, estilo pingue-pongue, sobre o tema dos incêndios. Cristas questionou Costa sobre o mandato para a equipa de Xavier Viegas fazer um levantamento ao que se passou nos incêndios de outubro ("já há um mandato claro", retrucou Costa) ou sobre projetos-piloto que decorrem no terreno (Costa perguntou a qual se referia, Cristas disse "registar" que não há projetos em marcha no terreno).

Durante uma interação sempre quente, Cristas questionou sobre os objetivos para meios aéreos. O primeiro-ministro tinha dito que seriam 55 este ano, mais do que nos dois anteriores. Cristas passou então a um dos momentos mais inflamados do debate: questionou o primeiro-ministro sobre se tinha "consciência de que [vítimas dos incêndios] foram persuadidas a aceitar cinco mil euros para dispensar mais burocracias e que não chegaram sequer a receber os cinco mil?".

"Para aceder a essa indemnização é necessário preencher um conjunto de documentação; algumas optaram por, em vez de estarem sujeitas a esta carga burocrática, aceitarem indemnizações pagas imediatamente, num esforço feito pelos Ministérios do Trabalho e da Agricultura", respondeu Costa. Quando Cristas lhe perguntou por quem recebeu menos que cinco mil euros, Costa respondeu que as vítimas foram pagas "de acordo com a tabela". Mas a líder do CDS convidou-o a "revisitar este tema".

AInda houve tempo para falar de outros assuntos: Cristas atacou o Governo por causa da "austeridade escondida" na Saúde e por temas como a necessidade de obras na ponte 25 de abril, que estão "na gaveta, que deve ser antes um armário", completou. "Em outubro do ano passado, data anterior aos relatórios de fevereiro que chamavam a necessidade para avançar com as obras, a obra já estava prevista", respondeu Costa, acusado pela líder centrista de só anunciar o investimento nas obras depois de surgir a notícia da revista Visão que dava conta da degradação da ponte.

O ambiente foi quente entre Costa e Cristas, como é habitual, mas para isso contribuiu também o início do debate, em que o primeiro-ministro, com uma ponta de ironia, quis felicitá-la pela reeleição no congresso do CDS que aconteceu este fim de semana e pelo "grande impacto mediático" que o conclave conseguiu. E fez referência à "ambição" do CDS, que se declarou a alternativa ao PS.