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Manuel Caldeira Cabral: UE terá posição “firme” sobre taxas às importações de aço e alumínio

TIAGO PETINGA/LUSA

Salientando que os Estados-membros consideram que as taxas alfandegárias sobre as importações de aço e de alumínio "não são justificáveis", o ministro da Economia reconheceu que a Comissão Europeia está a estudar "medidas de salvaguarda" para responder à decisão dos Estados Unidos

O ministro da Economia disse esta segunda-feira que a União Europeia terá uma posição "única, firme e determinada" quanto à decisão dos EUA de taxar as importações de aço e de alumínio e admitiu que estão a ser estudadas medidas de salvaguarda.

"O que se trata é de garantir que há uma união entre os países da União Europeia [EU], que estes têm uma posição única, firme e determinada no sentido de não deixar passar estas medidas, nem deixar que haja uma evolução em que se comece a pôr em causa o que tem sido uma tradição nas últimas décadas, já desde a II Guerra Mundial, que é a de abertura ao comércio e de não imposição de tarifas", explicou Manuel Caldeira Cabral, à saída da reunião de ministros comunitários da Competitividade, que decorreu hoje em Bruxelas.

Salientando que os Estados-membros consideram que as taxas alfandegárias sobre as importações de aço e de alumínio "não são justificáveis", o ministro da Economia reconheceu que a Comissão Europeia está a estudar "medidas de salvaguarda" para responder à decisão dos Estados Unidos.

Manuel Caldeira Cabral negou que o estudo de medidas represente uma retaliação da UE aos Estados Unidos, mas assumiu que a Comissão Europeia está a estudar um conjunto de produtos em que possam ser aplicadas "salvaguardas".

"As regras da Organização Mundial do Comércio devem prevalecer e a UE está unida em passar uma mensagem a favor da abertura ao comércio. Não se trata aqui de alimentar guerras de comércio, em que todos perdem, a começar pelos cidadãos norte-americanos, trata-se de tratar destes assuntos com determinação", contrapôs.

O ministro português reconheceu ainda que a decisão dos Estados Unidos de aplicar taxas alfandegárias sobre as importações de aço e de alumínio não causará "impactos muito significativos diretos em Portugal".

"Penso que o que devemos enfatizar é que o comércio é bom para os dois lados do Atlântico. Não se deve deixar que isto entre numa escalada e que se deixem de respeitar as regras do multilateralismo que tanto contribuíram para a afirmação dos Estados unidos e da UE", concluiu.

Na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que iria impor, dentro de dias, taxas de 10% e 25% sobre a importação de alumínio e de aço, respetivamente.

O Representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, esteve em Bruxelas no sábado para reuniões com representantes da UE, mas estes referiram depois que os encontros tinham sido infrutíferos.

Pouco depois, Trump exigiu à UE que, para poder beneficiar de uma isenção quanto ao aço e ao alumínio, acabe com as barreiras alfandegárias e regulamentares que diz existirem sobre os produtos americanos.

Já esta segunda-feira, no Twitter, o Presidente norte-americano garantiu que o seu Secretário do Comércio vai discutir com representantes da UE "a eliminação de importantes barreiras aduaneiras e taxas" que, no seu entender, Bruxelas "usa contra os Estados Unidos".