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BE defende escolha entre “dignidade” e horários de meio dia para os trabalhadores

PAULO NOVAIS / Lusa

Em reação a uma entrevista de Pedro Soares dos Santos ao “Público”, esta segunda-feira, Catarina Martins lembra que "esta semana, no Parlamento, vai-se votar, entre outras medidas, o fim do banco de horas e, portanto, temos de decidir se queremos que quem trabalha em Portugal seja tratado com dignidade ou se achamos que os Soares dos Santos desta vida podem obrigar trabalhadores a trabalhar 12 horas por dia”

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defende que é preciso escolher entre tratar os trabalhadores com dignidade ou permitir que grupos como o de Soares dos Santos os obriguem a trabalhar 12 horas por dia.

"Acho interessante a coincidência de as declarações do dono do Pingo Doce serem no mesmo dia em que saem os resultados de um estudo que diz que tantos trabalhadores em Portugal, mesmo trabalhando, continuam na pobreza", afirmou Catarina Martins, esta segunda-feira, em resposta às críticas de Pedro Soares dos Santos, numa entrevista ao jornal "Público".

O presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins acusa na entrevista os partidos que apoiam o Governo no Parlamento (BE e PCP) de serem "incapazes" de participar nas discussões fundamentais, considerando que "só atrapalham".

"Registo que [Pedro] Soares dos Santos queria que um trabalhador pudesse trabalhar 12 horas por dia", disse Catarina Martins, lembrando que "esta semana, no Parlamento, vai-se votar, entre outras medidas, o fim do banco de horas e, portanto, temos de decidir se queremos que quem trabalha em Portugal seja tratado com dignidade ou se achamos que os Soares dos Santos desta vida podem obrigar trabalhadores a trabalhar 12 horas por dia".

Para a líder bloquista essa é "uma escolha estrutural" para a economia do país, na qual "só tem sentido que os trabalhadores sejam respeitados, que tenham salários dignos, que mesmo trabalhando não se fique na pobreza tantas vezes em Portugal".

Catarina Martins falava em Alcobaça, à margem de uma palestra em que hoje falou com os alunos da Escola Secundária D. Inês de Castro sobre o "O papel da mulher na política".