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Assunção Cristas. “Quem não acredita no PS só tem uma escolha: nós!”

FERNANDO VELUDO / NFACTOS exclusivo para EXPRESSO

O CDS quer ser a primeira escolha mas não está a dar um “passo maior do que a perna”, garantiu Cristas no encerramento do congresso. “Há todo um país que quer ser representado pelo CDS”. Inovação, território e demografia são principais prioridades

O CDS não está “a dar um passo maior do que a perna”, é “a casa do centro e da direita em Portugal” e, quando os portugueses forem votar devem lembrar-se de que “só há uma” alternativa para “quem não acredita no PS” e quer “uma escolha inequívoca”. Foram estas as garantias que Assunção Cristas quis deixar no discurso que encerrou o congresso centrista, que decorreu este sábado e domingo em Lamego.

Com boa parte do congresso a ser usado para os centristas provarem que estão confiantes e ambiciosos, Cristas quis frisar que, apesar de ter noção do lugar “de partida” e das “dificuldades” para chegar a ser a primeira escolha, o CDS “já provou que não há impossíveis” - recorde-se o resultado em Lisboa, nas autárquicas, que a confirmou como líder do partido. E deixou uma palavra a Rui Rio, ali presente para assistir ao encerramento, lembrando que no conclave do PSD registou “a convergência de preocupações temáticas” entre os dois partidos.

E quais são as prioridades do partido que quer ser agora “a primeira escolha”, aproveitando que “acabou o voto para o primeiro lugar” e o que conta agora são as maiorias no Parlamento? Cristas enumerou três: a demografia, incluindo temas como o envelhecimento ativo e os incentivos à natalidade; o território, com preocupações com as alterações climáticas ou o estatuto fiscal do interior no topo da agenda; e a inovação, insistindo na questão das novas formas de trabalho.

Um mundo em mudança foi, aliás, a base para boa parte do discurso de Cristas, que acusou os restantes partidos de se “resignarem” enquanto o CDS “arregaça as mangas”. Isto inclui ideias para os “novos tempos”, incluindo preparar o sistema de educação para as novas profissões e apoiar na área social os mais velhos e menos adaptados aos novos ventos trazidos, por exemplo, por uma nova economia digital.

O novo soundbite: “as esquerdas encostadas”

Para o Governo, representado neste encerramento pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, críticas diversas: “limita-se a aproveitar a conjuntura favorável”, “esconde a austeridade”, “não tem visão consequente de problemas estruturais do país” como a demografia e a dívida. Próximos objetivos: ter bons resultados nas eleições regionais e dobrar o resultado (o CDS só tem um eurodeputado, Nuno Melo) nas europeias, de caminho para as legislativas do próximo ano. E um novo soundbite: depois das esquerdas unidas, os partidos de esquerda passam a ser conhecidos como as “esquerdas encostadas”.

Cristas teve ainda palavras para dentro quando falou sobre um congresso que “atesta a união do CDS na maturidade de um debate saudável e fecundo”, de um partido onde “não há choque de gerações, mas complementaridade”, e de abertura. “Há todo um país que quer ser representado pelo CDS”. Um recado final: Cristas não responderá mais a perguntas sobre conciliação entre família e trabalho - pelo menos enquanto não vir que essas questões são colocadas da mesma forma aos homens.