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“Júbilo e tragédia”: Marcelo assinala dois anos e acredita que “contaminou” Costa

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Para imagem de tragédia, Marcelo escolheu os fogos. Para imagem de júbilo, a visita do Papa. Diz que também podia ter escolhido Centeno. Mas não escolheu. O PR acredita que Costa está um “otimista mais conservador". Para 2018, deixa cinco desafios. Evitar "novas calamidades" e garantir uma oposição “mais forte" constam da lista

Nos tempos em que Marcelo Rebelo de Sousa dirigia jornais os fotojornalistas eram "heróis" porque toda a gente dava mais importância aos textos do que às fotos. Hoje, o Presidente da República reconhece que há imagens que dizem tudo e por isso mesmo escolheu assinalar cada ano do seu mandato com um livro de fotografias. Desta vez, o título é "Júbilo e Tragédia" e as fotos são da visita do Papa Francisco a Portugal e dos fogos que mataram mais de 100 pessoas no verão passado

Se tivesse que escolher um facto político para ilustrar o júbilo do ano, Marcelo reconheceu que podia ter sido Mário Centeno, a sua eleição para o Eurogrupo e os bons resultados de Portugal em números do défice e do crescimento. Mas a verdade é que a escolha foi outra. Para o Presidente, razão de júbilo foi a presença do Papa na comemoração dos 100 anos das aparições.

À conversa com jornalistas numa sala do palácio de Belém, o Presidente da República falou mais do futuro do que do passado mas assinalou que o primeiro-ministro, que ele chegou a classificar de "otimista irritantante" está hoje um "otimista" mais "conservador". E o que é isso? É ser como ele próprio, "um otimista realista".

Numa conversa longa com jornalistas - "Aproveitem, perguntem ..." - Marcelo deixou cinco desafios para o terceiro ano do seu mandato. "Evitar novas tragédias" que massacrem "um Portugal deigual" e garantir uma oposição forte constam da lista, bem como avançar para "uma Europa revigorada, coesa e forte", "crescer de forma duradoura e de forma a convergir com os países do euro", "garantir a credibilidade das instituições" (evitar que o Estado volte a falhar?), e garantir "um Governo forte e uma oposição forte".

Marcelo disse mesmo que irá "lutar" pela estabilidade política, pelo cumprimento da legislatura, por uma área de governação forte e por melhor oposição". "Podem contar comigo para o ano que está a começar", garantiu. O risco de isso não estar garantido, avisou, é abrir espaço a "populismos e radicalismos".

Em questões mais fáceis a entendimentos mesmo em período eleitoral, o PR pediu "um efetivo diálogo entre o maior número de partidos possível". E elencou quatro temas: a defesa dos interesses nacionais no quadro plurianual a negociar com Bruxelas, "a resposta às calamidades", a "correção das desigualdades", e a descentralização.

Para aguçar a curiosidade, Marcelo Rebelo de Sousa, o "otimista realista" antecipou que vêm aí notícias sobre números ainda melhores do que os que estão anunciados sobre o estado da economia e sobre "grandes decisões em relação à área portuária ou grandes infraestruturas". O Governo explicará.