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Política

Concelhias do PSD/Porto contestam nomeação de “boys” para a administração da APDL

Líderes concelhios do PSD de Matosinhos, Porto, Vila Nova de Gaia e Vila de Conde criticam nomeação do Governo de “nova leva de boys” para a administração do Porto do Douro e Leixões, S.A. Em causa está a escolha dos socialistas Nuno Araújo, Cláudia Soutinho e Joaquim Gonçalves

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Os presidentes das Comissões Políticas concelhias do PSD do Porto, Matosinhos, Gaia e Vila do Conde, Alberto Machado, Bruno Pereira, Cancela de Moura e Miguel Pereira, afirmam que o PS “perdeu definitivamente a vergonha” ao nomear três administradores “sem qualificações e experiência adequadas” para administrar uma empresa com a dimensão e importância da APDL.

As estruturas locais do PSD acusam a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, de ter indicado Nuno Araújo, Cláudia Soutinho e Joaquim Gonçalves tendo por critério “o partidarismo político extremo”, considerando que o “Partido Socialista perdeu definitivamente a vergonha”. Em comunicado conjunto, os líderes concelhios referem que a administração que tomou posse no passdo dia 1 de março “representa apenas a vontade de um partido político, sem atender às regras de boa governança, contestando a indicação da “nova leva de boys” sem passar “pelo crivo de um concurso público”.

Bruno Pereira, líder concelhio de Matosinhos, não duvida que os três novos administradores sejam profissionais competentes, mas lembra que nenhum dos escolhidos tem “experiência ou preparação para exercer assumir funções numa áera tão específica como a APDL”, empresa responsável pela jurisdição do Porto de Leixões, de Viana do Castelo e da Via Navegável do Douro.

“A APDL é um dos poucos símbolos cujo poder de decisão se mantém a norte e é da maior relevância económica para o país, dado ser uma das principais portas de entrada de mercadorias, motor das exportações e do crescimento turístico”, refere Bruno Pereira, aludindo aos 100 mil turistas que cruzam o Terminal de Cruzeiros de Matosinhos por ano.

O líder laranja de Matosinhos lamenta que o atual Governo não tenha tido o cuidado de nomear quadros à altura dos ex-administradores da APDL como Matos Fernandes, ministro do Ambiente, ou Alberto Santos, ex-presidente da Câmara de Penafiel. Embora não conteste a escolha de Guilhermina Rego, a presidir ao Conselho da Administração da APDL desde setembro, Bruno Pereira refere que a ex-vereadora de Rui Moreira na Câmara do Porto está há pouco tempo em funções, razão pela qual deveria estar rodeada de responsáveis com experiência em questões portuárias.

Os líderes locais já solicitaram uma reunião à Distrital do PSD/Porto, defendendo que a bancada social-democrata tome posição e interpele o Governo em relação “à forma como partidariza a administração pública, comportando-se como o dono do regime, em detrimento dos interesses dos portugueses”

Em comunicado, os líderes concelhios lembram que Nuno Araújo, engenheiro civil, apresenta como credenciais ter sido chefe de gabinete do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, enquanto Cláudia Soutinho, jurista, integrou a lista de vereadores do PS à Câmara do Porto e exerceu funções de diretora do Departamento Jurídico na Câmara de Matosinhos. Joaquim Gonçalves, eleito nas listas do do PS em Matosinhos, é referido como o único dos administradores com conhecimentos na área, tendo sido diretor da delegação Norte e Douro do Instituto Portuário e de Transportes Marítimos (IPTM).

Ministério do Mar não comenta as nomeações, tendo enviado à Lusa uma síntese dos currículos dos administradores visados. Sobre Joaquim Gonçalves, a tutela refere que “possui aptidão e capacidade de liderança consolidada como diretor delegado do IPTM”, responsável pela transferência da gestão do porto de Viana do castelo para a APDL, em 2009.

Em relação a Nuno Araújo, o ministério adianta que foi vogal do Conselho de Administração da Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação e diretor da Divisão de Desenvolvimento de Negócio e Internacionalização da EQS, Lda. Quanto a Cláudia Soutinho a tutela destaca as funções exercidas como diretora dos Serviços Partilhados em Matosinhos.

Notícia atualizada às 16h30