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Rui Nunes agita Distrital do PSD/ Porto. Três candidatos para um lugar?

Foto Lucília Monteiro

Professor Catedrático da Faculdade de Medicina do Porto oficializou esta quinta-feira a candidatura à maior Distrital laranja do país, empenhado em abrir o partido à sociedade civil e a recuperar o domínio perdido do PSD a nível autárquico. Bragança Fernandes, líder da Distrital, critica candidatura precoce e António Tavares mantém disponibilidade em avançar

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Ainda sem data marcada, as eleições para a liderança da Distrital do PSD/Porto prometem ser renhidas, perfilando-se três candidatos ao lugar ocupado, pelo menos até 23 de julho, por Bragança Fernandes. O ex-autarca da Maia, apoiante de Santana Lopes nas diretas contra Rui Rio à revelia da Distrital, afirma que num partido plural “quantos mais candidatos melhor”, mas não resiste a deixar uma bicada a Rui Nunes, que esta quinta-feira formalizou a sua candidatrura, no Porto.

“É um pré-candidato, pois não há eleições marcadas. Há um mandato em curso até final de julho, e faço questão de o cumprir integralmente”, diz o líder da Distrital, garantindo que a Comissão Política do PSD/Porto “está unida, solidária com Rui Rio e a trabalhar para a vitória do partido nas legislativas”.

Bragança Fernandes afirma que “só Rui Nunes sabe porque decidiu lançar uma candidatura já”, defendendo que ainda é cedo para o fazer. “Em política, uma semana é muito tempo, quanto mais três meses”, adianta o presidente da Assembleia Municipal da Maia, que só “lá mais para o verão” abrirá o jogo sobre se irá recandidatar-se ou não.

A oficialização da corrida à maior Distrital do país por parte do fiel apoiante de Rui Rio, também não desmobiliza António Tavares, outro dos militantes portuenses que esteve ao lado do líder do PSD nas diretas. O provedor da Santa Casa da Miserocórdia colocou o dedo no ar para concorrer à Distrital no rescaldo da hecatombe autárquica do partido, disponibilidade que mantém em aberto. “Não quero ser um candidato fraturante, mas de diálogo para tornar o PSD/Porto mais ativo e capaz”, afirmou ao Expresso, convicto que “tem todas as credenciais” para presidir à Distrital no novo ciclo do partido. Ainda a fazer contactos e a ouvir pessoas “ligadas ao partido e não só”, António Tavares irá decidir se avança ou não contra Rui Nunes entre o final de março e o início da abril.

“PSD não é um clube, muito menos um clube restrito”

Rui Nunes e António Tavares partilham à partida duas certezas: o tempo histórico do atual líder da Distrital passou e Bragança Fernandes é o principal rosto do desaire autárquico de outubro, que levou o PSD a mínimos históricos no Distrito do Porto. Na apresentação da candidatura, Rui Nunes lembrou que, em 2009, o PSD governava 10 das 18 câmaras do Distrito. “Agora são cinco, nenhuma das mais influentes e do litoral (Porto, Matosinhos e Gaia)”, diz, justificando que apresenta a candidatura nesta altura “por coincidir com um novo ciclo político nacional e a urgência de começar a reconstruir o futuro de um PSD mais forte”.

Aos 56 anos de idade, Rui Nunes, professor catedrático da Faculdade de Medicina da UP e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, apresenta-se como um “filho da sociedade civil”. Na estreia da política ativa, o médico com quase 30 anos de militância laranja refere que a sua candidatura é partidária mas “terá uma componente de abertura à sociedade civil muito representativa”, recordando que foi “o primeiro ou dos primeiros militantes a defender diretas no PSD abertas a não militantes”.

“Os partidos não são clubes, muito menos clubes restritos”, preconiza, sublinhando que “o problema dos partidos dos partidos políticos é a falta de abertura à sociedade civil”. Para inverter o declínio do PSD no Porto, além de dizer que é preciso mais empenho, Rui Nunes defende que falta à Distrital um planeamento estratégico para o próximo mandato de dois anos, planeamento que considera ter sido “feito em cima do joelho” no últimos anos, “o que se podia dar mau resultado”.

O primeiro presidente da Entidade Reguladora adianta que uma das suas prioridades é lutar por uma maior hegemonia num distrito muito diverso e com um interior menos desenvolvido, razão pela qual diz ser necessária uma Comissão Política distrital atenta e ativa aos fundos europeus do programa 20/30.

Como sinal de que a sua candidatura “não é mais do mesmo”, Rui Nunes afirmou que não foi por acaso que a anunciou no 'Dia Internacional da Mulher', ao lembrar que é responsável pela coordenação de uma equipa que apresentou à UNESCO uma proposta para a implementação de uma Declaração Universal de Igualdade de Género, neste momento em apreciação.