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Ferreira Leite deixa críticas ao ministro do Ensino Superior e mais ainda à situação em Mafra: “É humilhante”

Ex-líder do PSD não compreende a estratégia de corte de vagas no ensino superior em Lisboa e no Porto e não compreende a situação dos sinos no palácio nacional de Mafra

Soraia Pires

Soraia Pires

Jornalista

A Comissão Europeia decidiu esta quarta-feira retirar Portugal do grupo de países da União Europeia com “desequilíbrios macroeconómicos excessivos” e Manuela Ferreira Leite considera que esta decisão baseia-se em elementos “mais ou menos objetivos”: “Temos indicadores positivos como o défice orçamental, mas... Seguem-se muitos mais. A economia ainda não ganhou competitividade e o investimento não está a ser financiado como deveria ser. Há um conjunto enorme de “mas” que limita a análise que foi feita”, disse no seu habitual espaço de comentário na TVI.

A ex-líder do PSD acha que estas instituições estão muito agarradas aos indicadores estatísticos. “Elas veem que este indicador cresceu e aquele baixou mas isso não quer dizer muito. A necessidade do controlo orçamental para melhorar em certos aspetos económicos tem levado a uma degradação dos serviços prestados ao país, desde a saúde e a terminar em Mafra”, clarificou.

Em relação ao risco de queda dos sinos do palácio nacional de Mafra devido ao mau tempo, Ferreira Leite diz-se perplexa com este acontecimento: “É humilhante para um país como o nosso, em que o turismo está a desenvolver-se cada vez mais, que isto aconteça. É humilhante deixar degradar-se um monumento único destes. Somos um país de comportamentos incoerentes.”

A antiga líder do PSD falou também sobre a Educação, um assunto que a deixa “muito preocupada”. “O ministro do Ensino Superior não encontrou nada melhor para a contribuição no desenvolvimento do interior senão dizer que ia reduzir as quotas de número de alunos a entrar em Lisboa e no Porto? Pretende empurrar os alunos para o interior? Desconhece, claramente, o país. Achar que podemos pegar neles e empurrá-los para onde queremos, como se não fosse uma engenharia dirigista completamente incompreensível para as pessoas, é mau.”

E mencionou mais um problema na área do ensino superior: “A intenção de tentar não diferenciar um politécnico de uma universidade é muito má ideia. Os politécnicos foram criados para profissionalizar os formandos, algo que faltava no nosso sistema de ensino superior, porque era algo mais prático do que científico. E aniquilar as universidades, retirando a essência delas, que é a investigação, coisa que está afastada dos politécnicos, é irrisório”, diz. “É algo que está a funcionar e que volta a ser discutido para perturbar o funcionamentos das instituições. Há um grande desajustamento entre as preocupações dos governantes e a realidade do pais”, conclui.