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Costa destaca “momento histórico” do plano Ferrovia 2020

António Costa, primeiro-ministro, acompanhado por Mariano Rajoy, chefe do Governo espanhol, e pela comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulk

Nuno Botelho

Mariano Rajoy e comissária europeia presentes no lançamento das obras e dos concursos

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Para o primeiro-ministro português a expressão preferida foi a de "momento histórico", para o seu homólogo espanhol a de um "compromisso cumprido", para o ministro Pedro Marques a importância de transformar regiões fronteiriças em "regiões centrais do mercado ibérico", para a comissária europeia Violeta Bulc a satisfação de estar a "conectar a Europa".

O projeto que uniu os quatro esta segunda-feira pela manhã foi o lançamento do concurso para o derradeiro troço de via férrea que deve ligar Évora a Elvas e o começo da obra da modernização da linha Elvas-Caia. A linha faz parte do chamado "corredor internacional sul" que liga Portugal até à Alemanha.

À tarde, repetiu-se a cerimónia, mais pequena, na Covilhã, e só com as presenças do ministro do Planeamento e da comissária. Do Fundão àquela cidade o trajeto foi feito em automotora mesmo até ao ponto onde a partir de agora começarão as obras de modernização do troço Covilhã -Guarda, encerrada pelo Governo Sócrates há dez anos. Assim se ligará a linha da Beira Baixa com a da Beira Alta, permitindo completar o "corredor internacional norte".

Para Portugal são dois corredores ferroviários paralelos de ligação a Espanha e à Europa, para a Europa é só um - o "corredor Atlântico", um dos nove transeuropeus, considerados estratégicos. Tal como reconheceu a comissária, há uns poucos "elos de ligação" ("missing link") por completar, hoje completou-se um deles.

Por isso, disse Violeta Bulc, "tenho as mãos e o nariz frio, mas o coração quente. A Europa veio até junto de vocês, usem bem a oportunidade de que vos abre o maior mercado do mundo, o europeu", destacou perante a audiência presente na própria estação de caminho de ferro da Covilhã.

Projetos a três

Nuno Botelho

Os três projetos são financiados em 309.2 milhões de euros de contribuição comunitária, com origem em diversos fundos. As três obras integram o Plano Ferrovia 2020, que prevê obras em cerca de 1200 quilómetros, num investimento público superior a dois mil milhões de euros.

É um projeto caro à Europa, num momento em que se tenta gradualmente mudar do paradigma rodoviário para o ferroviário quando se trata de grandes distâncias. É melhor para as pessoas e para o ambiente, salientou a comissária Violeta Bulc.

Portugal e Espanha concertaram fazer obras em conjunto e o tema foi um dos principais da última cimeira bilateral, em Vila Real, em Maio passado. Este ano a cimeira terá lugar em Espanha e Rajoy prometeu na sua intervenção que "vamos constatar progressos", desta vez em outro troço, o de Évora-Mérida. "Estes trabalhos são excelentes notícias", disse o presidente do Governo espanhol, que lembrou que o porto de Sines "é uma via de entrada de mercadorias muito importante para a Europa" .

Para António Costa a importância não é apenas essa, mas também o facto de Sines ser o porto de águas profundas mais próximo do canal do Panamá, e cuja valorização ocorre num momento em que os grandes portos do norte da Europa sofrem congestionamentos sérios.

"É simbólico que seja uma obra que ocorra numa cidade [Elvas] que durante séculos marcou a separação com Espanha, que seja um investimento que aumenta a competitividade da Europa e, ao mesmo tempo, a sua coesão", disse, sublinhando ainda que o investimento se torna igualmente "simbólico" porque é um marco no crescimento português.

"Estamos a fazer investimento público porque chegou a hora de apostar nele para ajudar a sustentar o crescimento privado e o aumento das exportações ". Em 2018, disse o primeiro-ministro, este tipo de investimento deve aumentar 40%, depois de em 2017 ter aumentado 20%.