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Jerónimo de Sousa adverte que o acordo entre PS e PSD pode ser o "regresso de um bloco central informal"

NUNO VEIGA/LUSA

Sob a "máscara das reformas estruturais" também a Segurança Social pode vir a ser atingida no novo arco de governação, avisou o secretário-geral do PCP

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, advertiu este sábado, 3 de março, para a possibilidade do regresso de "um bloco central informal" entre o PS e o PSD que atinja a Segurança Social sob a "máscara das reformas estruturais".
Intervindo numa sessão para assinalar os 97 anos do PCP, em Lisboa, Jerónimo de Sousa disse que, desde o congresso do PSD, em meados de fevereiro, se "acentuam expressões de consensualidade" e se regista a "assumida articulação entre PS e PSD em torno das `reformas estruturais´".
A "enganosa designação" de "reformas estruturais" esconde "medidas de agravamento da exploração do trabalho, de retrocesso económico e de injustiça social", disse Jerónimo de Sousa, frisando que, no passado, resultaram em "desregulação económica, flexibilização laboral e desproteção social".
"Um caminho que pretendem não só consolidar, mas relançar afivelando a máscara das `reformas estruturais´ e à sombra de uma suposta inócua descentralização (mas, de facto, uma transferência de encargos e desresponsabilização do Estado) e uma consensualizada política de investimentos e aplicação de fundos comunitários, vendidos como a coisa mais natural, tão natural como o ar que respiramos", acusou.
Para Jerónimo de Sousa, aqueles "consensos" constituem "um primeiro passo no caminho dos consensos e de restauração de um bloco central informal para voos mais largos, em que muitos aspiram a que a Segurança Social torne a marcar lugar".
O secretário-geral comunista pediu "mais força" para o PCP, partido que afirmou "portador da política patriótica e de esquerda" e questionou: "ou pode-se considerar de esquerda aqueles que reduzem os direitos e alteram a legislação laboral para pior, que criam malfeitorias para os trabalhadores em nome dos interesses do capital?".
"Ninguém se pode afirmar de esquerda quando em relação aos direitos dos trabalhadores se põe de um lado e não do lado deles", disse, perante centenas de militantes que participaram no comício de aniversário do PCP, no auditório da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa.