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Política

César recusa entendimento alargado com PSD

Carlos César, presidente do PS

Marcos Borga

Presidente do PS e líder da bancada parlamentar garante que um eventual entendimento com os sociais democratas nunca porá em causa acordo das esquerdas. Reforma da Segurança Social está fora de questão, segundo Carlos César. Assim como outras matérias "estruturais"

O diálogo com os socialistas, proposto pelo novo líder do PSD, Rui Rio, não irá por em causa a atual solução governativa e não irá além da descentralização e da distribuição dos fundos europeus. A garantia foi dada por Carlos César, presidente do PS e líder do grupo parlamentar socialista, em entrevista à Antena1, emitida este sábado. "Não estamos a trabalhar com o PSD em àreas de risco para a unidade dos partidos que apoiam o Governo", afirmou.

Carlos César deixa um sinal de tranquilidade para o PCP e para o Bloco de Esquerda, ao mesmo tempo que reduz a importância de um eventual entendimento de bloco central. Na entrevista a Maria Flor Pedroso, o dirigente socialista sublinha que “os entendimentos com o PSD”, se vierem a concretizar-se, serão sobre “as matérias que constituem parte da agenda política deste Governo” e que se resumem "às questões relativas à descentralização e à programação dos apoios europeus”. César faz absoluta questão de segurar o acordo das esquerdas, garantindo que o diálogo com o PSD incide apenas sobre as duas áreas “onde não está em causa uma opção ideológica profunda”, afastando por isso as zonas de "risco para a unidade dos partidos que apoiam o Governo”.

Rejeitada, desde já, está qualquer possibilidade de um acordo de bloco central para a reforma da Segurança Social. “Abalaria muito a relação à esquerda, mas abalaria também o próprio PS porque nós não temos a mesma visão que o PSD tem sobre a Segurança social”, acrescentou Carlos César.

O presidente do PS não deixou de comentar a actual situação do PSD, considerando que após o Congresso o partido atravessa uma “fase conturbada” e de “fragilidades”. O recém eleito líder social democrata precisa ainda de “acautelar a solução política” no interior do próprio partido e não de “atentar contra a solução política do atual do Governo”. Em vésperas do Congresso do CDS, Carlos César defende que há uma disputa na direita portuguesa, que ainda não terminou e cujos desenvolvimentos o PS aguarda. “A maior ambição” do PSD e do CDS neste momento é a liderança da oposição, “depois de eles se entenderem, se calhar, falarão connosco", disse Carlos César..

Fora do universo dos partidos, o presidente do PS falou ainda daquilo que considera ser um problema "de interlocução social" e que diz respeito à representatividade dos parceiros da Concertação Social. Face aos representantes das confederações patronais "nós não temos a certeza que estejam a representar de facto a opinião dos empresários”, diz César, que expressa as mesmas dúvidas em relação aos representantes sindicais. Exemplificando com a situação na Autoeuropa, Carlos César afirmou que os trabalhadores "são objeto de tentativa de os absorver por parte das centrais sindicais".Esta situação "dificulta muito a negociação em Portugal porque nem sempre um acordo entre o Governo e um sindicato corresponde rigorosamente a um acordo com os respetivos públicos", rematou o socialista.