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Rio sobre os deputados contestatários: “A consciência deles é que dirá” se devem renunciar

“Não posso obrigar a colaborar quem não quer colaborar”, disse Rio sobre o grupo parlamentar do PSD. Líder social-democrata visitou a Bolsa de Turismo de Lisboa à hora em que Fernando Negrão se reunia pela primeira vez com os seus deputados. “Se eu achasse importante estar lá, estava”, diz Rio

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Rui Rio assistiu esta quarta-feira à estreia do seu líder parlamentar num debate quinzenal com o primeiro-ministro e gostou do que viu e ouviu. “Gostei não só da estreia do líder parlamentar como do debate como um todo”, disse esta manhã aos jornalistas, durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). E gostou porque mudou o tom dos confrontos entre o primeiro-ministro e os deputados. “Aqueles debates, a existirem” – disse Rio (“a existirem”, note-se) – “têm de ser debates mais tranquilos, mais calmos, mais esclarecedores”, como foi o primeiro protagonizado por Fernando Negrão pelo lado do PSD.

Pelo contrário, quando os debates se fazem com “uns contra os outros, a gritar, isso descredibiliza o Parlamento”, considera o líder social-democrata. Rio admite que este modelo “pode ser menos apelativo para as televisões, mas para o povo é seguramente mais credibilizador “.

À hora a que Rio visitou a BTL e fez estas declarações à comunicação social, Fernando Negrão tinha a primeira reunião com o grupo parlamentar depois da sua eleição. Rio, por seu lado, ainda não o fez desde que foi entronizado presidente do PSD. Não seria importante que estivesse ao lado do seu líder parlamentar, que desde a eleição enfrenta a contestação de boa parte da bancada?, perguntaram-lhe os jornalistas. “Se eu achasse que era importante estar lá hoje estaria”.

“Não posso obrigar a colaborar”

Rio confirmou a informação avançada pelo Expresso de que deverá encontrar-se com os deputados na semana que vem, mas nada fez para seduzir os membros do grupo parlamentar que votaram contra Fernando Negrão e têm contestado o início de mandato do novo presidente do PSD.

“Conto com 89 deputados, mas não posso obrigar a colaborar aqueles que não querem colaborar. Os que não quiserem colaborar, vamos ver como é que se vai comportar”, disse.

Os contestatários devem renunciar ao mandato?, questionou a comunicação social. “A consciência deles é que dirá e também depende da forma como eles estão contra. Se estão um bocadinho contra ou muito contra. Eu também fui deputado e não estive de acordo com tudo tudo o que o grupo parlamentar fez.”

O presidente do PSD desvalorizou ainda as dificuldades de liderar a oposição numa fase em que a economia corre bem, frisando que não só não está a correr assim tão bem como “há mais vida para além da economia”. Sobre o turismo, reconhece o bom desempenho de um sector “tradicionalmente crucial para a economia portuguesa”, mas alerta que agora “é importante não matar a galinha dos ovos de ouro” e não deixar que a economia fique excessivamente dependente deste crescimento.

[Texto atualizado às 12h42]

  • O breve ‘ponto de encontro’ ao centro de um Governo de esquerdas

    Boas-vindas, promessas de lealdade no debate, disponibilidade para conversar, agora tudo será diferente: durante breves minutos, o plenário da Assembleia da República pareceu ter como som ambiente a música do “Ponto de Encontro” e a condução dos trabalhos entregue ao saudoso Henrique Mendes. O primeiro debate quinzenal de António Costa com o novo líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, reforçou a ideia de (re)aproximação entre Governo e sociais-democratas, com maior abertura ao diálogo e menos crispação nas trocas de argumentos. O tom cordial marcou definitivamente uma nova era. Falta acompanhar os episódios seguintes