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Política

“O tempo que o espera é árduo”, adverte PR ao novo chefe militar

Tiago Miranda

Novo Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, foi empossado hoje com recados do Presidente da República

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O almirante António Silva Ribeiro foi empossado esta tarde como Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA) pelo Presidente da República e tem sobre si os olhos de quem nele aposta para mudar (alguma) coisa numas Forças Armadas descrentes e com problemas recorrentes.

O Presidente da República recordou-o claramente no discurso que fez: “o tempo que o espera [o novo CEMGFA] é árduo, muito a fazer em horizonte acelerado”, afirmou, ao dar-lhe posse, ao mesmo tempo que sublinhava a “sintonia” nestas matérias que existe com o Governo.

"As Forças Armadas sabem que contam com a aposta prioritária dos mandatados pelo povo”, disse ainda o Comandante Supremo das FA, lembrando ao mesmo tempo que estas também sabem que os riscos e desafios não são apenas os dos cenários mas os económicos, financeiros, políticos e os derivados da perceção da realidade da opinião pública.

A crise de Tancos também ficou a pairar, embora em referência implícita, com a chamada de atenção para o facto de terem sido apurados "erros e omissões", mas não ter sido possível identificar "quem e como agiu e qual o nexo de causalidade". Tal circunstância, no entanto, "não nos deve fazer desistir", acrescentou, sublinhando que as instituições especializadas hão fazer luz sobre o que aconteceu.

Quanto ao novo CEMGFA, falou pouco. “Servir Portugal com relevância, construindo as Forças Armadas do futuro”, cheio de “vontade firme de cumprir a divisa” do EMGFA, “Que quem quis, sempre pôde”, afirmou no seu curto discurso.

E pouco mais disse sem ser o que se espera de um chefe militar tarimbado: “dedicarei ao cargo que me foi confiado todo o potencial das minhas capacidades de militar e todo o carinho da minha alma de marinheiro””.

Cirúrgico, não deixou de acrescentar que espera beneficiar do apoio dos chefes dos ramos (e sem o qual nada ou pouco poderá fazer) para “trabalharem juntos” em “benefício de umas Forças Armadas que desejamos prósperas, capazes e úteis ao serviço de Portugal”. Esse mesmo apoio já tinha sido evocado por Rebelo de Sousa.

Reforma do EMGFA

O discurso mais solene e abrangente fica reservado para amanhã, quando se apresentar em cerimónia solene perante os militares do EMGFA, junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém. Aí se perceberá o que o novo CEMGFA, professor catedrático e antigo responsável por uma direção dos serviços de informações, tem na ideia como projeto de ação.

Não será fácil a tarefa. Mas é de crer que a estrutura do EMGFA deverá ser uma das suas prioridades, já que desde há muito tempo alertava para a necessidade da sua reforma.

Para além disso, Solva Ribeiro herda a chefia do Estado maior de umas Forças Armadas com menos efetivos do que precisam para as missões que têm atribuídas, pouco dinheiro, meios e capacidades esticados ao máximo, estruturas sobredimensionadas e pessoal desmotivado, ao mesmo tempo que lhe são colocadas novas exigências em missões da NATO, da União Europeia e da própria cooperação militar.

Isto, ao mesmo tempo que, internamente, são atribuídas aos militares novas responsabilidades em termos de emergência civil, como é o caso da prevenção e combate aos incêndios. Se acrescentarmos a situação na saúde militar (um eterno problema), na ação social, bem como as sempre sensíveis relações de cooperação com as forças e serviços de segurança, o prato vai cheio.

Sucessão pacífica

Silva Ribeiro sucede ao general do exército Pina Monteiro, que ontem abandonou o cargo por limite de idade. Na quarta-feira, um dia antes de passar o testemunho, foi condecorado pelo Presidente da República com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, que se destina a “distinguir destacados serviços prestados ao país no exercício das funções de soberania”.

Artur Pina Monteiro exercia o cargo de CEMGFA desde abril de 2014, nomeado pelo então Presidente da República, Cavaco Silva, tendo ido reconduzido em fevereiro do ano passado.

Hoje mesmo, o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas dará também posse ao sucessor de Silva Ribeiro na chefia do Estado-Maior da Armada, almirante António Mendes Calado.

O almirante Calado, de 61 anos, é vice-chefe do Estado-Maior da Armada desde outubro de 2016. Especializou-se em artilharia e concluiu a sua carreira no mar como comandante da fragata Corte Real, entre julho de 2002 e dezembro de 2005.