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Negrão pediu desculpa por comentários que tenham “ofendido e melindrado” deputados do PSD

António Pedro Ferreira

Na primeira reunião como líder da bancada parlamentar do PSD, Fernando Negrão tentou enterrar o machado de guerra e unir a bancada, pedindo desculpas depois de ter acusado parte da bancada de falta de “ética”. Se o seu tom foi apaziguador, quem lá esteve garante que mesmo assim “ninguém deixou nada por dizer”

Fernando Negrão aproveitou a primeira reunião da bancada parlamentar do PSD como líder para tentar enterrar o machado de guerra e acalmar os ânimos. A primeira medida que tomou foi pedir desculpa aos deputados, por todas as considerações que os tenham "melindrado e ofendido" na semana passada.

Por estes comentários, Negrão estaria a referir-se à sua reação ao curto resultado que obteve na votação para suceder a Hugo Soares na liderança da bancada (35 votos favoráveis, 53 brancos ou nulos). Assumindo que pessoas que convidou para as suas listas teriam votado em branco, Negrão chegou mesmo a afirmar, numa declaração acalorada aos jornalistas, que havia "um problema de ética" no PSD. E considerou depois as declarações do deputado Sérgio Azevedo, que o criticou por considerar os votos brancos uma expressão do "benefício da dúvida", "rídiculas".

Fernando Negrão tentou por isso apaziguar os ânimos dentro da bancada, um dia depois de se estrear nos debates quinzenais contra António Costa. Mas nem sempre o tom da reunião foi pacífico. A deputados que estiveram dentro da reunião e que são críticos da nova direção, o Expresso ouviu que houve intervenções em tom "crítico" e que, apesar da tentativa de acalmar os deputados, uma coisa é certa: "Ninguém deixou nada por dizer".

A reunião ficou marcada pelas intervenções iniciais dos ex-líderes parlamentares, assim como pelo pedido de desculpas de Negrão. Hugo Soares, que se viu obrigado a terminar o seu mandato de apenas seis meses para o qual foi eleito com 85% dos votos por Rui Rio preferir trabalhar com outra direção, interveio para dizer que nunca passou "sinal amarelo, ou vermelho" à eleição de Negrão.