Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes: “No lugar de Fernando Negrão ter-me-ia demitido”

Luís Marques Mendes arrasa gestão interna do PSD na eleição do líder parlamentar. Elogia Eduardo Cabrita pelo trabalho que está a ser feito nas florestas e critica o ministro da saúde, que “perdeu o estado de graça”. Pede ainda bom-senso na gestão dos serviços prisionais, citando a notícia do Expresso do último sábado

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Luís Marques Mendes considera "grave e lamentável" o que se passou no processo de eleição do líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão. O comentador da "SIC" aponta o dedo aos deputados social-democratas, "que agiram muito mal", criando uma "guerra intestina" contra o líder do partido, Rui Rio. E lembra os que votaram contra ou em branco contra Negrão que "é impensável" que o líder parlamentar não tenha a confiança do líder do partido. "O grupo parlamentar não dá imagem de coesão e todos ficam mal na fotografia", sentencia.

Marques Mendes não tem dúvidas de que teria batido com a porta caso tivesse apenas 35 votos a favor como aconteceu a Negrão. "No seu lugar eu teria ido embora", afirmou esta noite no habitual espaço na "SIC". Para Marques Mendes, Fernando Negrão tem agora "legitimidade fraca" e as próximas semanas serão decisivas para definir o seu futuro à frente do grupo parlamentar: "Fica ainda mais fragilizado se os debates com o primeiro-ministro correrem mal. Mas se estiver bem reforça-se".

Mendes iniciou o comentário deste domingo por arrasar a gestão do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. "Acabou o seu estado de graça. A contestação é generalizada." Em todo o caso considera que Adalberto não vai sair por não ser fácil de encontrar um ministro "com um pensamento tão estruturado como este". Aponta o dedo não ao ministério mas à geringonça pela a falta de reformas: "O problema financeiro tem a ver com a ditadura do ministério das Finanças", conclui.

Floresta, Rio e prisões

Quem mereceu elogios foi Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna. "É a primeira vez que vejo um Governo a agir como deve ser" em relação à prevenção de incêndios da floresta. E "o MAI em particular", sublinhou.

E vai mais longe, afirmando que tanto o executivo de António Costa, como as autarquias e também os particulares têm mostrado empenho ativo nesta limpeza, lembrando a campanha de sensibilização para a segurança das matas. "Não podemos repetir o pesadelo dos incêndios do último ano", alertou.

Naturalmente, o comentador falou de Rui Rio, dando-lhe para já o benefício da dúvida em relação à estratégia que tem seguido nos últimos dias. Por um lado, teve a "ideia central" de se demarcar do anterior líder Pedro Passos Coelho, ao apelar ao diálogo com António Costa, e também ao apoiar a ex-bastonária Elina Fraga para avançar com uma política de justiça diferente. Bem como confrontar diretamente deputados do partido, algo que Passos Coelho não fazia.

Mas aponta críticas, como a de não avançar já com políticas de oposição, algo que considera "original", e de ter escolhido Elina Fraga para vice, uma escolha que apelida de "disparate monumental". Lembra que a ex-bastonária é contra a intervenção do Ministério Público enquanto Negrão já veio elogiar, na última edição do Expresso, o papel dos procuradores. "Qual é a política do PSD? É a favor ou contra o MP?", questiona. "Convinha pôr ordem na casa se não parece um albergue espanhol", recordando que um partido em turbulência dificilmente sobe nas sondagens.

No final da intervenção na "SIC", Marques Mendes chamou a atenção para uma notícia do último sábado do Expresso, que dá conta de um clima explosivo no interior das prisões, nomeadamente os distúrbios ocorridos no Estabelecimento Prisional de Lisboa, no passado dia 10 de fevereiro, e em que se investiga a hipótese de guardas terem instigado o motim. "É preciso bom-senso nesta matéria e uma solução de compromisso", que não passa pela substituição do diretor dos serviços prisionais. "Se há falta de pessoal deve pôr-se mais pessoal", defende.