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Um mês à espera de Rui Rio com “alguma turbulência”

Rui Duarte Silva

Cronologia do PSD e de Rui Rio desde que foi eleito presidente do PSD, a 13 de janeiro. A entronização é este fim de semana, no congresso que se realiza em Lisboa

13 de janeiro

– Na noite das eleições diretas, depois de vencer Pedro Santana Lopes, com cerca de 54% dos votos, Rui Rio prometeu uma “oposição firme e atenta”, mas “não demagógica ou populista”.

Internamente, afirmou que “há condições de unidade” no partido e avisou que o PSD “não foi fundado para ser um clube de amigos ou uma agremiação de interesses ou de grupos”.

15 de janeiro

- O primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, admitiu que “não será seguramente difícil de ser melhor” o entendimento com Rui Rio do que com o atual líder, Passos Coelho.

16 de janeiro

- O presidente eleito do PSD escreveu um email aos militantes do partido, a quem agradeceu “a confiança, empenho e entusiasmo” nas eleições diretas, e apelou a um “grande sinal de unidade”.

- Hugo Soares, líder parlamentar e apoiante de Pedro Santana Lopes, que não pôs o lugar à disposição do novo líder, afirmou já ter falado com Rio, logo no dia das eleições diretas, e combinaram voltar a falar mais tarde sobre temas "que importam ao parlamento".

Pelo menos dois ex-líderes, Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes, defenderam, em declarações públicas, que Hugo Soares deveria colocar o lugar à disposição da nova liderança. Luís Montenegro, antecessor no cargo, é de opinião contrária.

- Rui Rio deu a sua primeira e única entrevista desde o dia da eleição, à RTP. O presidente eleito aproveitou para abordar a questão da liderança parlamentar e prometeu “falar com calma” e “sem precipitações”, mas também “em unidade”, “sem hipocrisia” com Hugo Soares.

“Unidade constrói-se de parte a parte. Constrói-se da parte de quem ganhou e constrói-se da parte de quem perdeu”, disse.

Sobre o futuro, argumentou que o "primeiro objetivo" do partido é "ganhar as eleições legislativas com maioria absoluta", mas sublinhou que entre o PSD, PS e CDS há "traços comuns" que devem ser aproveitados.

E quanto à estratégia para construir uma alternativa ao PS e à esquerda, afirmou: “É vital ir buscar pessoas fora do PSD.”

17 de janeiro

- O deputado e ex-líder parlamentar Luís Montenegro assumiu, em declarações às TSF, as suas divergências com Rio. “Tenho algumas divergências públicas e que não renego relativamente à estratégia política de Rui Rio e, independentemente de lhe desejar toda a sorte, não serei seguramente uma das suas figuras de direção política, nem devo ser.”

18 de janeiro

- Rui Rio e Pedro Passos Coelho reuniram-se na sede nacional do PSD, em Lisboa. Passos desejou uma transição para a nova liderança “com naturalidade”, tal como Rui Rio, embora o líder eleito tenha considerado que existe “alguma turbulência”.

“Alguma turbulência, mas a gente vai resolver essa pequena turbulência, não sei se a turbulência é real ou é mais na comunicação social”, disse.

E a questão da liderança parlamentar? Resposta de Rui Rio: “Vai ser resolvido com serenidade, com frontalidade, sem hipocrisia, mas com sinceridade de parte a parte.”

19 de janeiro

- David Justino, coordenador da moção de estratégia que o presidente eleito do PSD leva ao congresso, defendeu, em entrevista à Antena 1, que o partido "tem de estar preparado" para segurar o líder, mesmo se perder as legislativas.

"Não podemos estar condenados a uma espécie de determinismo político de dizer que quem perde tem que se ir embora. Não necessariamente! Porquê? Se a estratégia está bem construída, se o desempenho foi bom, porquê? Os adversários também não têm mérito?", questionou o ex-ministro da Educação.

22 de janeiro

- Rui Rio e Hugo Soares reuniram-se e concordaram que a direção da bancada na Assembleia da República deve manter-se "na plenitude das suas funções" até ao congresso nacional. Esta decisão é anunciada através de um comunicado.

- É mais uma consequência do período de transição no PSD. Os sociais-democratas pediram a suspensão dos trabalhos da comissão da transparência, na Assembleia da República, até à posse de Rui Rio, no congresso. PS aceitou e os trabalhos da comissão são suspensos.

- Neste dia, também no parlamento, num debate sobre fundos comunitários, o PSD, através de Hugo Soares, responde ao apelo de consenso feito pelo Governo e saúda a criação de uma comissão eventual de acompanhamento da estratégia nacional para o programa 2030, apesar de criticar o atraso com que este debate é lançado em Portugal.

27 de janeiro

- “Porque é que a Google em Portugal tem de ir para a Lisboa?” A frase, em forma de pergunta, é de Rui Rio, e foi publicada no semanário Expresso, três dias depois de o primeiro-ministro, António Costa, ter anunciado a instalação, em Oeiras, arredores de Lisboa.

Sem criticar diretamente a opção por Oeiras, ou defender abertamente a possibilidade de instalar o polo tecnológico no interior do país, o novo líder social-democrata afirmou: “A perder oportunidades destas, continuamos a agravar as assimetrias regionais e sociais cada vez mais.”

5 de fevereiro

- Miguel Pinto Luz, ex-líder do PSD/Lisboa, escreveu ao presidente eleito do partido desafiando-o a rever a sua moção, considerando que contém “omissões”, e exigiu a Rui Rio uma vitória nas próximas legislativas.

“Ao contrário do que alguns têm tentado afirmar publicamente, o mandato agora conquistado não lhe permite não vencer as próximas eleições legislativas. Pelo contrário, tem o dever de conduzir o partido à terceira vitória consecutiva nas eleições legislativas”, referiu Pinto Luz.

8 de fevereiro

- Rodrigo Gonçalves, ex-líder interino da concelhia de Lisboa do PSD, respondeu aos desafios de Pedro Pinto e Miguel Pinto Luz classificando-os como “opiniões”, e salientando os maus resultados eleitorais no distrito sob a sua liderança.

Numa carta aos militantes do distrito de Lisboa, Rodrigo Gonçalves, apoiante de Rio, faz um balanço muito crítico dos resultados do PSD no distrito e atribui a sua responsabilidade aos anterior e atual presidentes desta estrutura: Miguel Pinto Luz e Pedro Pinto, que recentemente questionaram o posicionamento do partido quanto ao PS sob a liderança de Rui Rio, o primeiro numa carta aberta dirigida ao presidente eleito e o segundo numa proposta temática ao congresso.

- Pedro Passos Coelho discursa na tomada de posse dos novos órgãos concelhios do PSD/Lisboa e defende que “a divisão do PSD acabou nas eleições” internas, apelando a que quem ganhou saiba não excluir quem perdeu na construção de "um caminho novo".

“Agora não vai começar a divisão do PSD. A divisão do PSD acabou nas eleições, agora vai começar o processo de união do PSD e de construção de um caminho novo. Cabe a iniciativa a quem ganhou, mas não se pode excluir quem perdeu”, afirmou.

10 de fevereiro

- Pedro Santana Lopes deu, a uma semana do congresso do PSD, uma entrevista ao semanário Expresso em que avisa não renunciar à legitimidade para discordar de Rui Rio. “Rio ganhou, ganhou. Mas eu não defendo que se pode fundir a água e o azeite. Há aqui realidades políticas diferentes que devem ser assumidas sem que isso signifique estar a fazer a vida negra ao outro. Há uma legitimidade para liderar, mas também há uma legitimidade para discordar e não faço tenções de renunciar a ela”, afirmou.

Na agenda imediata, após o congresso deste fim de semana, em Lisboa, Rio já tem um compromisso dia 19: uma audiência com o Presidente da República, de quem foi secretário-geral quando Marcelo Rebelo de Sousa foi líder do PSD, em 1996.