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Costa quer tomar o poder na Madeira a “qualquer preço”, acusa Miguel Albuquerque

José Caria

António Costa acusou a Madeira de agravar o défice público numa décima. Líder regional reage e diz que que o primeiro-ministro tem uma agenda para a “tomada do poder” e que não está preocupado com os madeirenses, nem com os seus problemas. E não esquece que “quem levou o país à bancarrota foi um Governo do PS”, do qual António Costa fez parte

Marta Caires

Jornalista

As relações entre os Governos da Madeira e da República estão no ponto mais crítico desde que Miguel Albuquerque preside ao Executivo regional e António Costa é primeiro-ministro. Já nem os sorrisos de circunstância disfarçam.

No debate desta quarta-feira no Parlamento, Costa acusou a Madeira de ter agravado o défice público em uma décima. E Albuquerque reage e diz que as contas regionais não estão melhores porque a República não paga o que deve, e denuncia ainda a agenda política para ganhar o poder no arquipélago. “A agenda deste primeiro-ministro não é resolver os problemas da Madeira e dos madeirenses, é a tomada do poder a qualquer preço”., disse esta manhã aos jornalistas, à margem da visita que efetuou às obras de requalificação do Museu Vicentes.

Este novo episódio começou no debate quinzenal na Assembleia da República, no mesmo dia em que o "Diário de Notícias da Madeira" publicou uma sondagem que coloca o PSD à frente nas intenções de voto para as regionais de 2019. Carlos César evocou as contas da Madeira, do único Governo PSD no país, no final do debate e essa foi a oportunidade para Costa dizer que, apesar do aumento de uma décima no défice não ser dramático, foi “uma surpresa desagradável” compensada pelo desempenho dos Açores e do Estado central.

“Não devemos à Região Autónoma da Madeira, pelo contrário, essa região fica a dever a todos nós o agravamento do défice público de 2017”, disse António Costa perante os deputados, uma declaração que Miguel Albuquerque não aceita. “A República deve muito à região autónoma. A Madeira tem as suas contas públicas controladas, como é do conhecimento de todos, e a declaração do primeiro-ministro é a todos os títulos lamentável, mas não é nada que não estivéssemos à espera”. Albuquerque insiste, há uma agenda política por detrás destas afirmações.

“Desde a primeira hora que dissemos que a agenda deste primeiro-ministro não era resolver os problemas da Madeira e dos madeirenses, mas desenvolver uma agenda política de tomada de poder na região, e a qualquer preço”, atacou. O défice regional, defende o presidente do Governo da ilha, é baixo e até podia ser inferior se a República não cobrasse juros mais altos à Madeira, o que custa mais 12 milhões ao ano e dava para construir as duas escolas novas previstas no plano de investimentos de 2018. O líder regional diz que também seria bom para as contas públicas madeirenses os milhões de dívidas fiscais que o Estado central deve à região autónoma e que, segundo Albuquerque, faziam jeito para investir no novo hospital e na saúde.

“Este primeiro-ministro não cumpre o que prometeu aos madeirenses e depois vem confundir as coisas. Estamos nitidamente perante uma pré-campanha eleitoral, mas eu penso que o primeiro-ministro não conhece muito bem os madeirenses. Se pensa que vai deitar poeira nos olhos dos madeirenses está muito enganado”, frisou.

Miguel Albuquerque disparou ainda contra as críticas de que foram os sucessivos Governos do PSD que levaram a que a região tenha uma dívida grande, que obrigou até a um resgate financeiro. “O PSD tem a responsabilidade de ter feito o desenvolvimento da Madeira. Quem levou o país à bancarrota foi um Governo do PS, de que este primeiro-ministro fazia parte”, acentuou.