Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes. Rui Rio "tem de marcar a agenda e ocupar espaço político"

Rui Rio tem “uma tarefa muito difícil mas não impossível” de levar o PSD a ganhar as eleições de 2019 ou de impedir a maioria absoluta do PS, defendeu Marques Mendes este domingo na SIC.

Rui Rio tem “uma tarefa muito difícil mas não impossível” de levar o PSD a ganhar as eleições de 2019 ou de impedir a maioria absoluta do PS.

Esta é a visão de Luís Marques Mendes que defende que Rui Rio deve marcar desde já a agenda política e tem até ao fim deste ano para fazer render o efeito novidade e reduzir o fosso que separa nas sondagens o PSD do PS nas sondagens.

A uma semana do congresso que entronizará Rio como presidente do PSD, Marques Mendes no seu habitual espaço de comentário na SIC, classificou o congresso de “muito importante”, reconhecendo que o novo líder se moverá num ambiente difícil e salpicado de adversidades.

Por isso, os discursos de abertura e encerramento são essenciais para Rio "definir prioridades e causas e marcar a agenda". Mendes aconselha Rio a revelar desde já as áreas em que vala a pena negociar "pactos de regime", marcando a agenda política e mediática.

É fundamental que “até ao fim do ano Rio reduza o fosso que o separa de António Costa nas sondagens” e se assuma como "uma verdadeira alternativa" que suporte a aspiração do PSD de ganhar as eleições de 2019.

O PSD "anda desaparecido em combate há vários meses. Precisa de um arranque em força deste novo ciclo", diz o ex-líder do PSD.

Défice de iniciativa

Segundo Mendes, uma das adversidades de Rio vem do exterior: António Costa e o governo continuam em alta. Depois Rio "tem défice de iniciativa política”. Além, disso, “será talvez o líder do PSD mais criticado à direita" por defender posições mais ao centro e uma aproximação ao PS. Os seguidores de Pedro Passos "não lhe vão facilitar a vida", avisa Mendes.

Tudo somado, Marques Mendes aconselha Rui Rio a marcar a agenda política logo após o congresso e ocupar o espaço mediático.

Do lado das vantagens de Rio, Mendes diz que ele beneficia do "efeito novidade" por não estar no ativo há algum tempo, e pode capitalizar a "credibilidade e estatuto" que decorrem da sua visão sobre os acordos de regime que são bons para o país.

Mendes aponta como vantagem a sua semelhança com Cavaco Silva, apesar das circunstâncias serem diferentes. Tal como Cavaco, Rio tem popularidade, “uma imagem de autoridade” e é visto na capital “como um provinciano”.

Sobre Passos Coelho, Marques Mendes reconhece que foi um mau líder da oposição, mas um bom primeiro ministro, “determinado e corajoso”. Admite que Passos Coelho possa ser candidato à Presidência da República ou ambicione regressar à liderança do PSD e tentar ser novamente primeiro ministro. E merece que o congresso o acarinhe.

Revisão laboral não é prioridade

Justiça e leis laborais estiveram igualmente em foco na intervenção de Marques Mendes, neste domingo gordo.

No caso das lei laborais Mendes defendeu a posição do governo, uma via intermédia e equilibrada entre as posições extremas- PCP e Bloco de Esquerda, de um lado, direita radical e Bruxelas. do outro. Segundo Mendes, o "tema faz parte da agenda do PCP e BE" numa lógica de pressionar o governo.

Mas, a revisão das leis laborais "não é uma prioridade". E citou os últimos dados do emprego para suportar a sua tese. O desemprego está em queda a precariedade laboral também. 78% dos contratos são de vínculos permanentes e o novo emprego começa a ser de salários mais elevados. A legislação laboral não impede este desempenho favorável. Revisões pontuais, sim, mas nem a flexibilização que defende a direita mais radical nem a rigidez e o fim dos contratos a prazo que defendem PCP e BE.

As prioridades para Marques Mendes devem estar na promoção das qualificações e investimento e na capitalização das empresas. Mendes citou estes três fatores a propósito da turbulência que
marcou a vida das bolsas mundiais na última semana.

O comentador entende que o sobressalto nos mercados é passageiro, mas “um dia a crise a sério chegará mesmo”. Portugal está melhor preparado para enfrentar essa crise do que há cinco anos , mas poderia estar a fazer melhor o trabalho de casa.

Poderia "ter aproveitado melhor este período de vacas gordas "para impulsionar o crescimento económico e resolver os problemas estruturais. A receita é "crescer acima dos 3%, convergir com a zona euro em vez de divergir, combater o défice de competitividade da economia, reduzir a dívida pública"..

É a justiça a funcionar

E a justiça? "Acho que está a cumprir o seu papel, não exerce qualquer papel de oposição nem ocupa o campo da política", responde Mendes.

O comentador “acha um disparate” que se diga que a justiça está a invadir o espaço político ou a ter uma uma "atuação orientada", ocupando o lugar de "uma oposição que não existe". A investigação judicial “está apenas a funcionar e fazer o seu papel”. Há casos lamentáveis, sim, como o de Centeno, Mas, se está "mais ativa e mediática" isso "é fruto das circunstâncias" e por envolver figuras poderosas.A Justiça "está apenas a desempenhar "a função que lhe cabe". E Isso "é positivo".

No comentário, Marques Mendes deixou elogios "à nova e verdadeira preocupação" sobre o futuro do interior do país. Assiste-se a um programa coerente e medidas sistematizada, traduzindo um sentimento a favor do mundo rural. O país "acordou e teve um sobressalto cívico", depois do "choque dos incêndios". Mendes anunciou que Miguel Cadilhe está a organizar um estudo com medidas concretas e favoráveis ao desenvolvimento do Portugal interior.