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Ferreira Leite: é prioritário “perceber os motivos que podem levar alguém a abandonar idosos nos hospitais”

Criminalizar o abandono de idosos em hospitais e unidades de saúde não é solução para Manuela Ferreira Leite, que considera mais importante perceber os motivos na origem dessa decisão, que são “quase sempre de natureza financeira”

Helena Bento

Jornalista

Para Manuela Ferreira Leite, legalizar a eutanásia não é mais do que “uma forma de fazer desaparecer um peso”. Assim, mais do que debater se a eutanásia deveria ou não ser legal, “devíamos estar a falar sobre a necessidade dos tratamentos de natureza paliativa e optar por ajudar as pessoas”.

No seu comentário habitual na TVI24, a ex-líder do PSD deixou claro que embora a legalização tenha uma aparência de “solução excecional”, não é disso que se trata verdadeiramente. “É errado achar que a eutanásia será usada apenas num caso ou outro. Os casos vão passar de excecionais a centenas”, afirmou Ferreira Leite, sustentando que nos países em que a eutanásia é legal o seu uso “tem aumentado de forma exponencial”.

Por outro lado, “nunca se saberá se a pessoa quis mesmo terminar a sua vida daquela forma ou se foi pressionada para o fazer acreditando que representava um fardo - até económico, tendo em conta que os tratamentos de saúde são cada vez mais caros - para os seus familiares”, afirmou ainda a comentadora, que não tem dúvidas de que, “mesmo sofrendo, as pessoas não têm um desejo de morte”.

Manuela Ferreira Leite mostrou igualmente grandes reservas sobre a proposta apresentada pelo CDS-PP e pelo PAN (Pessoas-Animais-Natureza) para criminalizar o abandono de idosos em hospitais e unidades de saúde, que vai ser debatida pelos deputados na próxima semana. “Tenho dificuldade em admitir ou aceitar que se legisle sobre o comportamento e os sentimentos das pessoas”, afirmou a ex-líder do PSD, para quem o mais importante e prioritário é “perceber os motivos que podem levar alguém a abandonar idosos nos hospitais”. Motivos que, acrescentou, são “quase sempre de natureza financeira”.

“Talvez haja quem acredite de facto que estar no hospital é a melhor coisa que pode acontecer àquela pessoa”, disse ainda Ferreira Leite, para quem é errado resolver este problema pela “via da penalização e criminalização”. “Que ajuda pode um filho ou filha dar se estiver preso?”, questionou, sugerindo que a única preocupação do Estado e dos políticos deveria ser “arranjar mais sítios para internar as pessoas que não podem ser acompanhadas pelos seus familiares”.