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Política

Dois países diferentes em debate no Parlamento: PS fala de “mais e melhor emprego”, direita diz que “trilhou o caminho das pedras”

Discussão sobre emprego, num momento em que PCP e BE pressionam PS para alterar legislação laboral, começou com elogios dos socialistas à maioria parlamentar. Direita não vê os mesmos avanços e critica vontade de mudar a lei: “Em equipa que ganha não se mexe”

Os tempos podem ser de tensão na maioria de esquerda, com PCP e BE a fazerem exigências ao PS no que toca à legislação laboral e a relembrarem um vasto caderno de encargos que querem ver posto em prática. Mas os socialistas escolheram arrancar o debate desta quinta-feira, marcado pelo PS e subordinado ao tema "Mais emprego, melhor emprego", com elogios aos avanços conseguidos com os parceiros e ataques quase constantes ao anterior Governo de direita.

O "caminho com a marca do PS, partilhado com responsabilidade com os parceiros" que compõem a maioria de esquerda no Parlamento foi o mote para a intervenção da deputada socialista Idália Serrão, que lembrou a frase-chave do PS: "Afinal, havia mesmo outro caminho". E enumerou os bons números em matéria de emprego – foi conhecida esta quarta-feira a queda na taxa de desemprego, que ficou no ano passado nos 8,9% –, tendo Idália Serrão lembrado também que desde o fim do Governo de direita foram criados mais de 280 mil empregos líquidos e que no último ano foram criados mais de 170 mil empregos.

No entanto, quem ouviu a intervenção do PS e as seguintes, feitas pelos partidos da direita, poderia pensar que estava a ouvir falar de dois países diferentes: o PSD acusou a geringonça de "não ser capaz de baixar a precariedade laboral", e insistiu que não há mais "formação profissional nem mais e melhor emprego para os jovens", lamentando que o PS ceda aos "ataques de pacotilha dos parceiros" e rematando: "A situação agora é muito mais fácil porque alguém trilhou o caminho das pedras".

No CDS, e depois de Idália Serrão ter acusado "a direita parlamentar" de entrar em "estado de negação" desde que os indicadores começaram a melhorar, o deputado António Carlos Monteiro reclamou para o PSD e o CDS os méritos da atual legislação laboral, que já vem desse tempo. E lembrou que "em equipa que ganha não se mexe": "Porque é que aceitam mudar a legislação laboral a reboque dos seus parceiros de esquerda?".

A resposta veio da boca do próprio: "Têm de pagar o preço do apoio dos parceiros de esquerda". Para os centristas, há ainda outra pergunta que fica no ar: se o Governo "vai continuar a ignorar" a concertação social, uma vez que as mudanças não têm tido acordo em sede de concertação.