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Marcelo diz que Costa herdou um “trilho aberto com inquestionável mérito” por Passos e Portas

Presidente da República pede que a boa evolução nas finanças e na economia passem do “conjuntural” ao “sustentável”. E avisa: é preciso “evitar bolhas de consumo”

A plateia era de gente ligada ao sector financeiro e o Presidente da República puxou pelos louros do anterior Governo de direita. Ao discursar na Banking Summit, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa não só elencou uma série de desafios que considera colocarem-se ao atual Governo, como reconheceu que António Costa herdou, em 2005, "um trilho aberto, e começado a percorrer, com inquestionável mérito", por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

"A governação substituída em 2015 deixou com inquestionável mérito um trilho aberto e começado a percorrer de redução drástica do défice, de sensibilização para a prioridade nacional do saneamento das contas públicas e do crescimento da economia portuguesa", afirmou o PR, lembrando que remontam ao anterior Governo as primeiras "diligências" para estimular o turismo e trazer a Web Summit para Portugal.

Registado o elogio a Passos e Portas, Marcelo também elogiou o atual Executivo, que conseguiu provar estarem enganados os que lhe anteciparam fracasso. Mas passou logo para o caderno de encargos que na sua opinião tem de ser rapidamente posto em prática se o país quer "virar definitivamente a página das crises endémicas, dos conjunturalismos e das soluções para o imediato".

"Tempo e trabalho" são, para o Presidente, vitais para garantir que as atuais boas notícias, sejam no controlo do défice, seja no crescimento da economia, passam do conjuntural para o estrutural. Mas, na sua opinião, os desafios "mais complexos" passam por "garantir que fenómenos inorgânicos de contestação não desestabilizam o ambiente social" e "ir mais longe nos incentivos à iniciativa privada, muito timidamente tratada no Orçamento do Estado para 2018".

O Presidente alerta para a necessidade de "evitar bolhas de consumo, depois dificilmente controláveis". Politicamente, Marcelo insiste na tecla da estabilidade política e avisa que enfrentar os desafios que apontou requer "legislaturas cumpridas, governos fortes e oposições igualmente fortes".