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Novo líder do PS-M vai jogar para ganhar, mas o candidato é... Paulo Cafôfo 

O PS de António Costa pode ganhar pela primeira vez o Governo Regional da Madeira com Paulo Cafôfo

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Emanuel Câmara, o novo presidente do PS-M, vai “jogar para ganhar”, mas não vai a jogo nas regionais de 2019 já que vai dar aos madeirenses o presidente que querem: Paulo Cafôfo. E Ana Catarina Mendes foi à Madeira garantir todo o apoio da direção nacional

Marta Caires

Jornalista

“Vamos dar à Madeira o presidente que os madeirenses querem. E quem é esse presidente? Quem é esse presidente?” Emanuel Câmara, o novo líder do PS-M, encostou a mão à orelha para ouvir bem a plateia gritar “Cafôfo! Cafôfo! Cafôfo!” O novo presidente dos socialistas madeirenses apresentou-se no congresso regional do partido com uma estratégia de “jogar para ganhar”, uma “agenda de inspiração social” e um candidato que é Paulo Cafôfo, o independente que é presidente da Câmara do Funchal.

Num extenso discurso, que durou mais de uma hora, Emanuel Câmara repetiu várias vezes que terá uma coligação com a sociedade civil e que o mais importante são as pessoas, que o partido irá pensar, preocupara-se e governar para as pessoas. Não ele, o presidente do OS-Madeira, mas aquele que apresenta como candidato – Paulo Cafôfo – que não é militante socialista, mas que se se sentou na mesa da direção na sessão de encerramento do congresso do PS-Madeira este domingo.

Essa coligação com a sociedade civil começa com uma reedição dos estados gerais, mas o novo líder deu pistas sobre algumas ideias que tem para a Saúde e deixou uma promessa: com um governo regional socialista não haverá falta de medicamentos, com um “governo do PS isso não poderá acontecer”. Foi das poucas promessas que fez, até porque não será como o governo regional do PSD, onde há promessas repetidas e meias verdades. Em 2019, garantiu, tudo vai mudar.

Não com ele, Emanuel Câmara, presidente eleito pelos militantes socialistas a 19 de Janeiro, não ganhou o partido para ser candidato a presidente do Governo Regional. A estratégia sempre foi a de lançar Paulo Cafôfo, autarca do Funchal, ainda assim Câmara fez questão de lembrar o “momento histórico” que se vive na Madeira: a possibilidade de alternância no poder regional. Agora é “jogar para ganhar”, disse o homem que perdeu cinco vezes antes de ganhar a Câmara Municipal do Porto Moniz, um pequeno município da costa norte da Madeira, lugar que ocupa desde 2013.

O líder dos socialistas madeirenses fez questão de lembrar essa época, esses combates num tempo em que ir a um comício do PS era motivo para a represálias do PSD que, durante anos, ganhou todas as eleições e foi poder nas juntas, nas câmaras e no governo regional. É essa a hegemonia que os socialistas esperam quebrar de vez. Já não existe nas autarquias locais e agora a aposta é para chegar ao governo regional. Há 42 anos que o PSD é poder na Madeira, mas para 2019 até a direção nacional acredita numa possível vitória.

Socialistas querem ganhar todas as eleições em 2019

Ana Catarina Mendes veio à Madeira dizer que os socialistas querem ganhar todas as eleições de 2019 e que o empenho será o mesmo nas regionais, europeias e legislativas. E aos militantes do PS-M deixou uma mensagem especial: “a direção nacional estará do vosso lado” para “romper o marasmo” em que está a região e até para melhorar “o serviço regional de Saúde”. A secretária geral adjunta garantiu que o PS e o governo central estão disponíveis para ajudar a melhorar o sistema de saúde e para resolver o dossier do novo hospital central do Funchal. Aliás, Ana Catarina Mendes disse que se o caso não avança é por “paralisia e falta de visão” do governo regional.

A parte do “romper o marasmo” foi dirigida a Paulo Cafôfo, o escolhido para enfrentar o PSD nas regionais. O presidente da Câmara do Funchal rompeu o marasmo no Funchal em 2013 e agora o partido conta com o independente para a Madeira. A secretária geral adjunta fez questão de sublinhar também que para os socialistas contam as pessoas e que os madeirenses não têm razões de queixas do governos do PS em Lisboa. Foi com um governo socialista que em 1976 ganharam a autonomia regional, foi com António Guterres que houve um perdão da dívida pública regional e se fez a lei das finanças regionais e foi com José Sócrates que se acertou a lei de meios para a reconstrução dos estragos causados pelas cheias de 2010.

“É absolutamente necessário vencer em todas as batalhas de 2019”, sublinhou Ana Catarina Mendes.