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Protesto dos militares: CDS chama ministro da Defesa ao Parlamento

Marcos Borga

João Rebelo, em reação a memorando inédito que chefes militares enviaram ao Governo, considera que ministro está a "sacudir a água do capote"

O CDS decidiu chamar ao Parlamento, com carácter de urgência, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro. O motivo é a notícia que faz este sábado manchete do Expresso e que dá conta de um protesto formal de todos os chefes das Forças Armadas devido ao "insuficiente" aumento de efeitos previsto para este ano, protesto esse que o CDS classifica como um "grito de alerta".

Ao Expresso, o deputado centrista João Rebelo explica que o CDS decidiu chamar Azeredo e Pina Monteiro ao Parlamento porque considera que "todos os órgãos de soberania devem estar muito preocupados" com o "desconforto evidente [dos militares] perante os meios humanos e as missões que têm".

O deputado enumera as tensões que se levantam nas Forças Armadas - "problemas evidentes de recrutamento e de retenção de efetivos, e o alargamento de missões no combate aos fogos" - para explicar que "não há milagres": os efetivos estão em números muito abaixo do previsto no plano da reforma Defesa 2020 e do necessário para cumprir estas missões, lembra o CDS, ficando hoje um pouco abaixo dos 28 mil quando o previsto eram 32 mil. Assim, há "missões que podem ficar comprometidas", sublinha o centrista.

O CDS chama agora as duas figuras da Defesa ao Parlamento por considerar que não há uma "visão de fundo" e que os problemas já denunciados, "à porta fechada", pelos chefes militares em relação ao recrutamento continuam por resolver, enquanto o ministro, no comunicado enviado ao Expresso em que atribui aos chefes militares a responsabilidade de adequar "os efetivos às missões que venham a ser consideradas como prioritárias", está a "sacudir a água do capote".

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