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PSD e CDS demarcam-se de pretensão do PPE de discutir Centeno no plenário

Yves Herman

Paulo Rangel (PSD) e Nuno Melo (CDS) demarcaram-se desta iniciativa, repudiada pelos deputados portugueses de outros grupos políticos

O PSD e o CDS demarcaram-se esta quarta-feira da pretensão do presidente do Partido Popular Europeu (PPE) de debater no plenário do Parlamento Europeu as "alegações contra o presidente do Eurogrupo", Mário Centeno, considerando-a "impertinente" e "absurda".

Um dia após Manfred Weber, líder parlamentar do PPE – a maior família política europeia, que inclui as delegações dos sociais-democratas e democratas-cristãos ao Parlamento Europeu – ter avançado com a ideia de haver um debate na próxima sessão plenária sobre o caso que envolveu buscas no Ministério das Finanças, Paulo Rangel (PSD) e Nuno Melo (CDS) demarcaram-se desta iniciativa, repudiada pelos deputados portugueses de outros grupos políticos.

O líder da delegação do PSD explicou que "o presidente (do PPE na assembleia) queria levar a questão à Conferência de Presidentes (que reúne os líderes das famílias políticas) para eventualmente saber se haveria um debate em plenário ou não" e garantiu que "o PSD, assim que soube, porque isto foi agendado apenas pelo presidente, lavrou logo um protesto enorme por considerar que é completamente impertinente estar a por qualquer questão".

"Não há nenhuma investigação pessoal e não tem qualquer relevância. Tanto quanto sabemos, não há nenhum motivo para qualquer dúvida neste momento. Sabemos que também os presidentes dos outros grupos não querem debater a questão sequer na Conferência de Presidentes, e portanto o PPE já não insistirá nisso. Provavelmente o assunto nem sequer vai ser discutido na Conferência de Presidentes", agendada para quinta-feira, apontou.

"Tendo em conta a nossa posição, que foi muito firme e foi expressa ontem (terça-feira) por escrito e oralmente duas vezes, penso que o assunto estará totalmente esvaziado. Julgo que os nossos argumentos tiveram alguma valia, mas também não há dúvida de que os outros grupos, felizmente -- e penso que aí os deputados portugueses terão tudo um papel -, chamaram a atenção para que isto no fundo é um não assunto. Se do ponto de vista nacional já era uma coisa bastante caricata, do ponto de vista europeu é ainda mais", completou.

Também Nuno Melo, do CDS, considerou que a ideia de colocar o assunto na agenda da sessão plenária que decorre em Estrasburgo entre segunda e quinta-feira da próxima semana "não faz nenhum sentido".

"À política o que é da política, à justiça o que é da justiça, sendo que no caso, se é verdade que decorre uma investigação em Portugal, como é público, o ministro Mário Centeno não foi sequer constituído arguido, e portanto esta é uma audição que é absurda no tempo e inclusivamente nos seus pressupostos. E em relação a isso eu não tenho uma avaliação partidária, tenho uma posição que é de princípio", disse.

Por seu turno, o líder da delegação do PS ao Parlamento, Carlos Zorrinho, considerou tratar-se de "uma decisão absurda", que disse só poder entender "como uma tentativa de denegrir a imagem de um político, a imagem de um país, r uma incapacidade por parte do PPE de aceitar que, através de uma linha política diferente, mais próxima das pessoas, mais próxima das empresas, seja possível atingir resultados económicos de grande significado".

"É completamente extemporâneo, não há nada factual, por isso acredito que a Conferência de Presidentes não vai viabilizar este debate", disse, manifestando-se convicto de que Rangel, enquanto vice-presidente do PPE "também ajudará a impor o bom senso".

Os eurodeputados falavam minutos antes de uma cerimónia de homenagem a Mário Soares pelo Parlamento Europeu, na qual participa o primeiro-ministro, António Costa, que na segunda-feira renovou a confiança no ministro das Finanças e frisou que Mário Centeno "não sairá do Governo em circunstância alguma" relacionada com investigações sobre alegados benefícios em troca de bilhetes de jogos de futebol.

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