Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Mário Soares, um nome em Bruxelas

António Pedro Ferreira

Homenagem a Mário Soares no Parlamento Europeu foi também recheada de recados políticos

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Houve de tudo: discursos polidos mas entusiastas, muita emoção e, claro, política. Como não podia deixar de ser, a homenagem feita hoje no Parlamento Europeu a Mário Soares, dando-lhe o nome de uma das salas de reuniões, foi também recheada de recados políticos. Felipe Gonzalez inaugurou o tom, António Costa fechou. Foi, nesse capítulo, uma "lição de socialismo".

Disse Gonzalez : "Temos de enfrentar as desigualdades com os instrumentos de hoje e não com os que fizemos há 30 ou 40 anos". Afirmou Costa: "É olharmos o futuro com a precaução dos riscos e a consciência das ameaças".

A sala, no edifício Altiero Spinelli, um dos quatro que compõem o Parlamento Europeu em Bruxelas, deixará a partir de agora de ser um número - 3g3 - e terá o nome do "gigante da democracia europeia", como lhe chamou entusiasmado o até agora líder do grupo Socialistas e Democratas Gianni Pittella. Só esse facto "é dar espírito à construção europeia", destacou Felipe Gonzalez.

A sala estava repleta de eurodeputados e muitos portugueses, eurodeputados atuais de todas as famílias políticas e outros portugueses como Basílio Horta, Teresa Almeida Garrett ou Luís Queiró, que foram seus contemporâneos quando Mário Soares foi membro do Parlamento. De Portugal vieram também Vasco Lourenço e Osita, a secretária de toda a vida. Os filhos, a nora e a uma das netas representavam a família.

Foi aliás a Isabel Soares que coube a intervenção mais emotiva, "de olhos embaciados pela ternura, a emoção e profunda admiração" e que contagiou a sala. Ao filho, o registo mais político. Dirigindo-se diretamente a António Costa, homenageou-o, nas suas palavras, por "representar um Governo que ilumina com esperança a Europa que está a sofrer momentos difíceis". Bem humorado, declarou que ele próprio foi seu ministro, "durante a primeira República, durante alguns meses".

Quanto a António Costa, não deixou de sublinhar que "num tempo de mudanças, dificuldades e perplexidades, em que temos de encontrar para a Europa um rumo claro e seguro, os grandes europeus e o seu exemplo edificante são um património que devemos valorizar, simbolizar e divulgar. Também eles enfrentaram momentos difíceis, às vezes dramáticos, e souberam abrir a senda e construir o caminho no meio de crises e atribulações".

A sala fica mesmo ao lado de uma outra, denominada Aldo Moro, o antigo primeiro-ministro italiano que foi assassinado. Para além de Mário Soares, Lucas Pires é o outro político português a quem foi dado o nome, no caso, de uma sala de leitura.