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Marques Mendes: “O país aprecia a dupla Costa/Marcelo”

Os dois anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, a recusa de novos parceiros por parte do primeiro-ministro António Costa, o congresso do PSD, o encontro em Davos e a Google em Portugal. Eis os temas abordados por Luís Marques Mendes este domingo à noite, no seu comentário habitual na SIC

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Nos dois últimos anos Marcelo Rebelo de Sousa teve várias conquistas, mas a mais relevante foi provavelmente ter “ganho aos críticos que diziam que ele corria o risco de se banalizar”, afirmou Marques Mendes esta noite, na SIC, elogiando a presidência “diferente, muito diferente” de Marcelo. O Presidente da República foi um “fator de equilíbrio e de acalmia política, ajudou a reabilitar o prestígio da função presidencial e a elevar a autoestima nacional, unindo o país rural e urbano”.

Assim, em pouco beneficiará o PS o anúncio de que o partido apoiará, em teoria, outro candidato presidencial assim que terminar o mandato de Marcelo, conforme foi sugerido esta semana por Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao jornal Expresso. “O país aprecia a dupla Costa/Marcelo. Se o PS apoiar outro candidato poderá ter uma derrota humilhante”, afirmou Marques Mendes. Por outro lado, isso poderá abrir caminho a José Sócrates, que “pode ter a vertigem de se apresentar como candidato presidencial, numa espécie de ato de desespero”. “Conhecendo-o como o conheço, acho que pode vir a passar-lhe essa ideia pela cabeça”.

Ainda no âmbito do PS, Luís Marques Mendes comentou as declarações desta semana do primeiro-ministro António Costa, em que este disse que o partido vai continuar no caminho iniciado há dois anos e em “boa companhia”. Para o comentador, estas declarações, que não significam uma total recusa de possíveis entendimentos com Rui Rio, serviram sobretudo para “acalmar os parceiros da coligação”. De resto, um entendimento entre PS e PSD conforme tem proclamado o líder eleito do PSD é algo que “dá jeito a Costa, uma vez que reforça o seu poder negocial quer junto do PCP quer junto do BE, permitindo-lhe exigir aos dois partidos que sejam mais dóceis e menos exigentes”.

Comentando o congresso do PSD que se avizinha, e onde haverá intervenções que “vale a pena acompanhar”, nomeadamente a de alguns políticos do partido “que podem vir a querer ser líderes no futuro”, Marques Mendes disse: “O PSD está há meses fora de jogo, em autogestão”.

Outro dos temas abordados pelo comentador este domingo à noite foi o encontro em Davos que juntou líderes políticos, empresariais e figuras públicas. António Costa reuniu-se aí com João Lourenço, Presidente angolano, num encontro que mostrou, além do resto, que “não haverá retaliações” por causa do caso Manuel Vicente, ex-vice-presidente angolano, acusado de corrupção ativa e branqueamento de capitais.

O comentador elogiou ainda a participação de Emmanuel Macron, Presidente francês, que “é uma espécie de Obama da Europa e foi a grande estrela” do encontro, ao contrário de Trump, que fez um “discurso monocórdico”, e da ministra britânica Theresa May, que se revelou uma “estrela decadente”. A lamentar, apenas o facto de terem “participado somente duas grandes empresas portuguesas no encontro”.

“Excelente notícia” para Marques Mendes é a instalação noticiada esta semana de um centro de serviços da multinacional norte-americana Google. “Significa mais investimento estrangeiro em Portugal, para compensar a falta de capital das nossas empresas para investir e dá-nos credibilidade internacional, contribuindo para a boa imagem do país no exterior”.