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Bloco Central? “Quando se está bem acompanhado não se muda de companhia”, diz Costa

PAULO NOVAIS/ Lusa

No primeiro discurso após a eleição de Rui Rio, António Costa esclarece a estratégia do Governo. “Quando se está no bom caminho só há uma coisa a fazer: continuar no bom caminho”

António Costa não falou em Rui Rio, muito menos nas teorias sobre Bloco Central. Mas indiretamente, em Coimbra, num discurso que encerrou o jantar das jornadas do grupo parlamentar do PS, deixou bem clara a estratégia do Governo.

“Quando se está no bom caminho só há uma coisa a fazer: continuar no bom caminho. Quando se está bem acompanhado, não se muda de companhia. Portanto vamos seguir o caminho iniciado há dois anos com a companhia de há dois anos”, disse está segunda-feira à noite, numa das passagens mais aplaudidas do primeiro discurso que fez aos deputados do PS após a eleição de Rui Rio como presidente do PSD.

Depois de discriminar os sucessos da governação socialista - “quando há dois anos muitos tinham dúvidas” - Costa fez questão de sublinhar o distanciamento em relação à direita. “Provámos que tínhamos razão e que eles não tinham. Andaram anos a dizer que eram o bom aluno, mas quem hoje quem presidiu ao Eurogrupo não foi um ministro do PSD nem do CDS, foi o nosso ministro Mário Centeno”, atirou.

E depois de recordar que este Governo “foi capaz de acabar com o dogma de que só três partidos podiam chegar ou influenciar o Governo”, António Costa garantiu que, apesar de "exigente", a maioria parlamentar de esquerda é "estável" e levará a legislatura até ao fim. E numa de várias 'bicadas' ao PSD, notou mesmo que ao contrário de outras bancadas parlamentares, a dos socialistas não anda a discutir "quem será o seu líder parlamentar".

Apesar da satisfação com o percurso já percorrido, Costa antecipou também alguns dos desafios que ainda restam até 2019: “mais crescimento, mais emprego e mais igualdade”, “menos trabalho precário”, a reforma da floresta, a descentralização e um “debate político alargado” sobre os fundos europeus, exemplificou.

Em suma, “uma agenda muito pesada pela frente”. Mas entre alguns pedidos de entendimento à direita - nomeadamente na descentralização e nos fundos europeus -, a dois anos das eleições ficou também uma mensagem clara sobre a impossibilidade de acordos estratégicos mais amplos com o PSD: “Se a direita voltar ao poder volta a querer ter competitividade à custa de baixos salários”, disse.