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Marques Mendes: Rio no PSD cria “alguma preocupação” e “embaraço” no PCP e BE

No seu comentário na SIC, Marques Mendes defende a substituição do líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, e vê duas opções para o julgamento de Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, que se inicia esta segunda-feira: ou é suspenso até o Tribunal da Relação de Lisboa decidir se deve ser feito em Portugal, ou há separação de processos

Para Luís Marques Mendes, a eleição de Rui Rio para a liderança do PSD "tem impacto nos partidos de extrema-esquerda", que encaram a escolha com "alguma preocupação", mas tem impacto também no Presidente da República, segundo afirmou este domingo no seu comentário habitual na SIC.

O impacto no Bloco de Esquerda e no PCP acontece, segundo Marques Mendes, por duas razões. "Desaparece aquilo que para a extrema-esquerda era o papão: Pedro Passos Coelho", começou por sublinhar. Acrescentou depois ser por isso que a dirigente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, veio "desenterrar" declarações de Cavaco Silva. Depois, porque Rui Rio já prometeu - e Mendes julga que vai cumprir - "fazer pactos de regime com o Governo. Não é como Bloco Central, mas isso cria embaraço no PCP."

Como exemplos desses "pactos de regime", aponta as decisões sobre os fundos estruturais e o plano nacional de infraestruturas, no sentido de fazer aprovar as grandes obras públicas por dois terços do Parlamento. "Isso embaraça o PCP e o BE. Cria perturbação", sustenta.

Já o "impacto" que a escolha de Rui Rio tem em Marcelo Rebelo de Sousa é outro, até porque ambos têm "interesses muito diferentes". "Mas têm uma preocupação em comum: ambos querem evitar a maioria absoluta de António Costa. Rio tem interesse porque o PSD quer ganhar as eleições ou evitar a maioria absoluta de Costa." Já o Presidente da República, explica, "gosta mais de ter um Governo sem maioria absoluta porque com maioria tem menos poder de manobra".

A liderança do grupo parlamentar

Questionado sobre se concorda ou não que o atual líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, deixe o cargo, depois de ter apoiado a candidatura de Pedro Santana Lopes, Marques Mendes não tem dúvidas e defende que haja "uma nova escolha" de líder parlamentar, sublinhando que esta não é uma questão pessoal, mas sim política. "É do interesse de ambos que seja escolhido um novo líder. É do interesse de Rui Rio porque ele ganhou por ser o candidato da mudança, portanto não pode ter um líder parlamentar que seja a imagem da continuidade."

Já sobre o líder da bancada, Marques Mendes lembra que em matérias recentes como o financiamento dos partidos, Hugo Soares e Rui Rio têm perspetivas diferentes. "Como é que [Hugo Soares] pode defender uma coisa e o seu contrário? Dá a imagem de que está agarrado ao poder."

Quanto ao caminho do PSD, o comentador social-democrata defende que o partido não deve ter um discurso de "derrota antecipada" ao falar dos cenários pós-eleitorais. "Se já estou a dizer que viabilizo o que vai ganhar, é dizer que vou perder." Pelo contrário, defende outra estratégia: "Ter um discurso diferente do Governo, e diferente do de Passos Coelho, e reiterar a ideia de pactos de regime em questões essenciais com o Governo porque isso dá credibilidade."

Julgamento de Manuel Vicente

Outro dos temas do comentário deste domingo foi o julgamento de Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola, que tem data de início marcada para esta segunda-feira, dia 22 de janeiro. Contudo, falta a decisão final do Tribunal da Relação de Lisboa sobre se Manuel Vicente deverá ou não ser julgado em Portugal. O comentador assegura que essa decisão "deverá estar próxima".

Assim, há duas opções neste momento, na sua perspetiva: "ou o tribunal suspende o julgamento até à decisão do Tribunal da Relação, ou faz uma separação dos processos." Ou seja, explica, "o julgamento segue em relação aos vários arguidos e o processo fica em banho-maria em relação a Manuel Vicente".

Sobre a tensão nas relações entre Portugal e Angola, gerada por este caso, Marques Mendes não opta pelos cenários extremos. "Claro que no imediato há uma tensão grande no ar", aponta. Contudo, não acredita que haja "retaliações no plano económico ou diplomático", sublinhando que as autoridades portuguesas "têm dado sinais de estar a ajudar a normalizar esta relação".