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Concelhias rosa vão a votos: Porto renhido, Matosinhos a uma só voz

As 18 concelhias da Federação do PS/Porto vão a sufrágio, este sábado, numa espécie de primárias das eleições para a Distrital, em março, e que até ver tem por candidato único Manuel Pizarro. Na maior concelhia do país, Luísa Salgueiro vai a votos sem concorrência após 20 de desavenças, enquanto no Porto Renato Sampaio desafia Tiago Barbosa Ribeiro, de quem foi mandatário em 2015

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Depois de quase duas décadas, a desavinda família socialista vai a votos unida a uma só voz na concelhia de Matosinhos. A pacificadora é Luísa Salgueiro, a primeira mulher a presidir à Câmara local e, a partir de amanhã, a liderar a Comissão Política concelhia do PS, a campeã do país com mais de 5.500 militantes.

A autarca eleita a 1 de outubro tendo por adversários dois ex-militantes socialistas de longa data, Narciso Miranda e António Parada, apresenta-se a eleições sob o lema “Honrar o passado, Construir o Futuro”, em lista única, após o atual líder da estrutura local, Ernesto Páscoa, ter decidido não se recandidatar, fragilizado da guerra autárquica por ter negado o apoio à candidata escolhida por Manuel Pizarro, com a bênção de António Costa.

“Conseguimos uma coisa inédita, porque pela primeira vez há alinhamento e sintonia no seio da família socialista para apresentação de uma lista única na concelhia e de listas únicas nas secções de residência”, adianta Luísa Salgueiro. Numa altura em o PS voltou à governação da cidade, a autarca fez questão de calcorrear as freguesias do concelho para ouvir as bases e reforçar a coesão do partido, defendendo o início de um novo ciclo político rosa a nível local, “mais forte e aberto a todos os que reveem nos ideias de justiça social, igualdade de oportunidades e de implementação de políticas públicas que corrijam desigualdades”.

Duelo no Porto entre costistas e socráticos

Na concelhia do Porto, o delfim de Manuel Pizarro, Tiago Barbosa Ribeiro e atual líder da estrutura, concorre contra Renato Sampaio, líder da Distrital e do aparelho do PS/Porto na era Sócrates, de quem é amigo pessoal e presença de primeira fila na apresentação dos livros do ex-Primeiro Ministro.

A reconquista autárquica do Porto, depois da derrota de Manuel Pizarro em outubro à Câmara do Porto, a quinta consecutiva dos socialistas desde 2001, é a motivação primeira para a candidatura do deputado Renato Sampaio à concelhia local, que na sua moção estratégica às eleições de amanhã apontou como meta “retomar o caminho das vitórias” em 2021. Desagradado com a “perda de identidade do PS” na cidade do Porto, Renato Sampaio avança para combater o papel subalterno do partido na Invicta, propondo-se encontrar um projeto alternativo à gestão da direita na Câmara do Porto.

Além de se afirmar crítico da estratégia prosseguido pelo PS local no passado, numa alusão à aliança com o movimento independente de Rui Moreira após as eleições de 2013, Sampaio, militante de cartão há mais de 30 anos, candidata-se ainda para unir as bases e respeitar os militantes e órgãos concelhios, o que em sua opinião não tem sucedido sob a liderança do atual responsável concelhio e colega de bancada. Entre os apoiantes da sua lista, conta com nomes de peso como Alberto Martins, ex-líder parlamentar, do deputado Pedro Bacelar Vasconcelos e ainda o antigo autarca Fernando Gomes.

Tiago Barbosa Ribeiro, militante socialista desde 2004, estranha a deriva da narrativa autárquica do adversário, lembrando que há quatro anos, não só foi favorável ao pacto com Rui Moreira, como foi seu mandatário. Para o atual líder da concelhia do PS/Porto, as eleições de amanhã vão “condicionar mais de uma década de soluções autárquicas para a cidade”, depois de o PS ter sido arredado da governação do Porto em 2001 por Fernando Gomes. Na apresentação da sua moção estratégica, Barbosa Ribeiro defendeu a abertura do partido à sociedade civil e ao diálogo interpartidário com a esquerda para derrotar “o bloco de direita que governa o Porto”.

O candidato que tem por mandatário o nº 2 do Governo, Augusto Santos Silva, acusa Sampaio de agrupar na sua candidatura “os camaradas que levaram à derrota do PS há quase 20 anos, através de uma luta de egos e personalidades”. A fuga ao debate que antecedeu as eleições para a concelhia é outras das criticas de Tiago Barbosa Ribeiro a Renato Sampaio, atitude que encara como um sinal “de cobardia política”.

Além de rebater as queixas de falta de diálogo com as bases feita pelo concorrente, Barbosa Ribeiro propõe-se afirmar o partido como “principal força da oposição autárquica” e continuar a bater-se, como no último mandato, pela descentralização.

Com o lema 'Pelo Porto', o recandidato à concelhia conta com o apoio expresso de várias personalidades da sociedade civil, entre as quais se contam Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura e da ex-vereadora da Cultura responsável pela 'Porto 2001' Manuela de Melo.

Na concelhia de Vila do Conde, o histórico socialista Mário de Almeida, deixa a concelhia desgastado pela vitória da independente Elisa Ferraz, a quem retirou à última da hora o apoio, apresentando-se como candidato único Abel Maia. Pacíficas são ainda as eleições concelhias em Vila Nova de Gaia, Valongo, Trofa, Penafiel, Paredes, Paços de Ferreira, Marco de Canaveses, Gondomar, Felgueiras e Baião, enquanto na Maia há três candidatos na corrida ao lugar e dois em Amarante.