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Simão Ribeiro, líder da JSD, sucede ao irmão na presidência da concelhia de Lousada

Líder da JSD foi eleito no dia das diretas para o lugar deixado vago pelo irmão Agostinho. Simão rejeita a tentação dinástica em Lousada, um dos dois concelhos do distrito do Porto onde Rio perdeu para Santana Lopes com o apoio dos manos Ribeiro e de centenas de militantes que regularizaram quotas nos últimos dias do prazo limite

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O deputado laranja que celebra 32 anos a 13 de maio foi eleito, domingo, líder da concelhia de Lousada, sucedendo no cargo ao irmão, Agostinho Gaspar Ribeiro, inibido de se recandidatar por limitação de mandatos. O ainda líder nacional da Juventude Social Democrática deixa o lugar nas próximos meses por ultrapassar limite de idade, altura em que tomará posse na concelhia liderada pelo irmão nos últimos três mandados.

Questionado sobre a herança política familiar, Simão Ribeiro nega, contudo, qualquer tipo de tentação dinástica, justificando a sucessão com a ausência de candidaturas alternativas, “apesar dos apelos à participação” no processo eleitoral. “Não fui candidato único porque quis ou proibi alguém de concorrer, mas por falta de candidatos depois de muita gente me pedir que evitasse o vazio político da concelhia, que é a segunda ou terceira maior do distrito em número de militantes.”

Numas eleições “bastante participadas”, Lousada foi um dos dois concelhos onde Santana Lopes, apoiado pelos irmãos Ribeiro, ganhou a Rui Rio, com um resultado de 704 votos contra 271. Simão Ribeiro justifica a esmagadora votação no antigo primeiro-ministro pelo facto de as diretas terem coincidido com as eleições concelhias. “Não escondi quem era o meu candidato, apelei naturalmente ao voto dos militantes em Santana Lopes, por isso é natural que quem me elegeu tenha seguido maioritariamente a minha opção nas eleições internas do partido”, refere o delfim de Agostinho Ribeiro.

A prova de que existiu “liberdade de voto” no concelho em que, em dezembro, a poucos dias do fim do prazo de pagamento de quotas, quase um milhar de militantes regularizou as contas foi “eu ter obtido 972 votos, 271 dos quais não seguiu o candidato que eu defendi e votou, seguindo a sua consciência, em Rui Rio”, acrescenta Simão Ribeiro.

Em vésperas de deixar a liderança da JSD, o deputado recusa, tal como negou em dezembro Agostinho Ribeiro, eventuais práticas de caciquismo no pagamento de quotas ou de sindicatos de votos, cenário suscitado por um militante local que prefere o anonimato. “O universo de votantes ativos era de cerca de 1400, votaram menos de mil”, afiança Simão Ribeiro, que garante que “quem votou votou mesmo e de livre vontade”.