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Presidente da Câmara do Funchal nega ir à Assembleia... pela terceira vez

homem de gouveia/ lusa

Paulo Cafôfo, que é arguido no inquérito à queda árvore que provocou a morte a 13 pessoas em Agosto, recusou pela terceira vez ir à Assembleia Legislativa da Madeira. Da primeira vez alegou motivos de agenda, na segunda disse que não queria perturbar o processo judicial e agora alega que um deputado do PSD proferiu "declarações insultuosas” contra si

Marta Caires

Jornalista

À terceira o presidente da Câmara do Funchal voltou a negar. Paulo Cafôfo foi convocado para esclarecer os deputados da comissão parlamentar de Saúde da Assembleia Legislativa da Madeira sobre a queda da árvore no Monte a 15 de Agosto do ano passado, mas uma vez mais respondeu que não vai. Agora alega que foi insultado por um deputado do PSD e diz que as vítimas não merecem que se faça um aproveitamento do caso. A justificação é nova, pois o presidente - que é arguido no inquérito ao acidente - já se desculpou com a agenda e com a necessidade de perturbar a investigação judicial.

Desta vez, Paulo Cafôfo diz ter “um tremendo respeito” pelo parlamento regional, mas explica que não vai por causa das “declarações insultuosas” feitas por um deputado do PSD e, como a comissão parlamentar de Saúde é presidida pelo PSD, isso evidencia os verdadeiros fins da audição, que “ultrapassa o que interessa ao povo madeirense”. A justificação da “nega” acrescenta ainda que não irá permitir o aproveitamento político da queda da árvore sobre a multidão que esperava a procissão de Nossa Senhora do Monte. O acidente causou a morte a 13 pessoas e feriu mais de 50.

As declarações a que se refere o autarca do Funchal foram feitas por Carlos Rodrigues, deputado, que, no plenário do parlamento regional, acusou Cafôfo ser “covarde” depois de se saber que era arguido no inquérito.

O presidente da Câmara do Funchal recusa responder aos deputados, mas já respondeu numa primeira inquirição no processo que corre no Ministério Público, onde admitiu que não percebe de árvores, nem sabe tudo o que passa na autarquia, referindo muitas vezes que delegou competências nos vereadores e nos serviços. Nem sequer sabia que no site oficial da Câmara do Funchal o local onde estava o carvalho que caiu aparece como parque municipal do Monte. O presidente insistiu até que o Largo da Fonte e o restante parque seriam responsabilidade do município, tudo menos o talude onde estava o carvalho. Isso é da paróquia do Monte, disse no processo que o Expresso consultou.

Do mesmo processo consta a dúzia de avisos que a Câmara do Funchal recebeu entre 2014 e 2017 a alertar para a situação das árvores. Avisos que o chefe dos parques espaços verdes do município - também arguido no inquérito - alega não ter tido conhecimento, pelo menos entre 2015 e 2017 os serviços não foram informados desses alertas. No entanto, em pelo menos um, a vereadora responsável do Ambiente, respondeu à Junta de Freguesia do Monte que a vistoria ao Largo da Fonte seria feita quando fosse oportuno. Idalina Perestrelo, a vereadora, é arguida ao lado de Paulo Cafôfo e do chefe de parques e espaços verdes.

Enquanto decorre o inquérito no Ministério Público e o presidente da Câmara do Funchal se recusa a ir à Assembleia, o PS-Madeira está em campanha para as eleições internas. Há dois candidatos: Emanuel Câmara e Carlos Pereira. A questão é que Emanuel Câmara ganhar o candidato a presidente do Governo será Paulo Cafôfo, que foi eleito pelo Funchal como independente, mas numa coligação liderada pelo PS.