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Rui Rio. “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos ou agremiação de interesses individuais”

FERNANDO VELUDO

Resistiu duas vezes a candidatar-se a líder do seu partido de sempre em nome da fidelidade aos portuenses. Há mais de um ano no terreno a preparar a sucessão a Pedro Passos Coelho, Rio anunciou há três meses que era a hora de agir. Agiu e ganhou a Pedro Santana Lopes, sem nunca ter perdido uma eleição desde os tempos da JSD

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Numa salta quase repleta, Rui Rio foi curto e incisivo. O novo líder do PSD, que lembrou durante a campanha nunca ter perdido uma eleição desde os tempos da Faculdade de Economia do Porto numa bicada a Pedro Santana Lopes,confirmou a veia ganhadora ao vencer, à primeira, a corrida à presidência do partido de que é militante há 39 anos.

No discurso muito aplaudido começou por agradecer aos militantes que nele confiaram, numas eleições livres e diretas, sem esquecer todas os que estiveram a seu lado "ao longo do combate de três meses". Após mais de uma semana de debates quentes com o adversário que conta três candidaturas à liderança laranja, Rio baixou a guarda para afirmar que acredita que quem fez uma "opção diferente" irá continuar a servir o partido.

A Pedro Santana Lopes deixou uma saudação pela generosidade e empenho por se ter apresentado a eleições, "enriquecendo o confronto com as suas ideias e objetivos". Na hora de agradecer perante mais de uma centena de fiés apoiantes, o sucessor de Pedro Passos Coelho não esqueceu Francisco Pinto Balsemão, de quem sempre foi próximo, o primeiro subscritor da sua lista.

Nuno Morais Sarmento, seu mandatário, David Justino, coordenador da moção de estratégia política da candidatura e Salvador Malheiro, diretor de campanha, foram outros dos nomeados no momento da vitória, antes de relembrar o ideário de Sá Carneiro quando em maio de 1974 fundou o partido. "O PSD de ideais de liberdade, unidade interclassista, de justiça social e igualdade de oportunidades, Este é o ADN, a herança que o fundador do partido nos legou, a bússulo que sempre me orientou e é a minha meta".

Na afirmação mais dura da noite, Rui Rio advertiu que o PSD não foi fundado para ser uma "clube de amigos ou uma agremiação de interesses individuais". O ex-presidente da Câmara do Porto, que desde que deixou a autarquia em 2013 começou a preparar com recato mas de forma determinada a corrida a desejada corrida à liderança laranja não se furtando a debates por todo o país, inicialmente organizados pela plataforma cívica "Uma Agenda para Portugal", afirmou que hoje se fechou um ciclo. "Um ciclo exigente para todos os portugueses e que Pedro Passos Coelho teve de enfrentar na mais longa dura crise financeira do país", referiu, elogiando o Primeiro Ministro "que retirou o país da bancarrota para onde outros atiraram Portugal".

Em relação ao futuro, Rio foi breve mas não se furtou a dizer ao que vem: a partir de fevereiro o PSD será uma alternativa ao Governo que se formou à esquerda, que promete combater de forma corajosa para restituir ao país "alma e esperança".

"O atual Governo terá uma oposição firme e atenta, nunca demagógica ou populista", sublinhou, assegurando ainda que o partido irá contribuir para um futuro melhor do país e para uma sociedade mais justa e solidária. Muito aplaudido, Rio teve esta noite a seu lado a mulher e a filha, Nuno Morais Sarmento, António Tavares e Rui Nunes, impulsionadores da plataforma "Uma Agenda Para Portugal", o deputado vimaranense Emídio Guerreiro, o líder concelhio do Porto, Miguel Seabra, além de todo o staff de campanha, entre os quais Salvador Malheiro, o mais aplaudido dos seus apoiantes.

No princípio e no fim do discurso, não faltou o hino da sua candidatura que apregoa "nós somos um rio que não vai parar".