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Marques Mendes convida Hugo Soares a sair da liderança parlamentar do PSD

“O que se impõe é que Hugo Soares ponha imediatamente o seu lugar à disposição” de Rui Rio, disse o comentador na SIC

Luís Marques Mendes defende que o atual líder parlamentar do PSD, Hugo Soares (apoiante de Pedro Santana Lopes nas eleições diretas realizadas neste sábado), deve mostrar toda a disponibilidade para deixar o cargo. "O que se impõe é que Hugo Soares ponha imediatamente o seu lugar à disposição" de Rui Rio, ontem eleito o 18º líder da história do PPD/PSD.

O comentador habitual das noites de domingo da SIC, e ex-líder do PSD, começou por salientar que não sendo Rio deputado o líder da bancada social-democrata é o seu "representante" no Parlamento - e por isso tem de ser "uma pessoa de confiança" do presidente do partido.

Para Marques Mendes, a decisão final sobre a liderança parlamentar pertencerá naturalmente ao conjunto dos deputados, mas entende que Hugo Soares deve dar provas de desapego ao lugar.

O comentador do "Jornal da Noite" da SIC fala do seu exemplo (foi líder parlamentar sob a liderança de Marcelo Rebelo de Sousa). "Eu fiz isso há 20 anos, quando Marcelo Rebelo de Sousa saiu e entrou Durão Barroso. E então nem se tratou de uma disputa".

Quatro desafios para Rui Rio

A questão da liderança parlamentar é um dos quatro desafios que, para Marques Mendes, esperam o novo líder do PSD. Para começar, Rio tem a tarefa de "unir o partido". Para evitar a "balcanização" do PSD, deve ser "magnânine", com um "gesto de abertura" e "sentido integrador", diz o comentador da SIC. Tal passará por "ir buscar pessoas que não estiveram com ele ou que estiveram" com a candidatura de Santana.

A "renovação da linguagem e dos protagonistas" da sua equipa dirigente ("os portugueses estão fartos de ver sempre as mesmas caras") e a "construção de um projeto alternartivo de Governo" (para o qual alerta que "o caminho é muito estreito") são os outros dois desafios que na ótica de Luís Marques Mendes aguardam Rui Rio.

Quanto ao horizonte do novo líder do PSD, Mendes diz que Rio "tem de afirmar-se já neste ano". O comentador da SIC considera que se os "eleitores moderados" perceberem que o PSD não pode vencer as eleições, "então vão logo votar no PS" (pois preferirão uma "maioria absoluta" dos socialistas a um dependência destes do Bloco).

Sobre dois dos temas da semana, Marques Mendes lançou farpas ao Governo. As declarações da ministra da Justiça sobre a continuidade da Procuradora-Geral da República foram um "colossal disparate" e um "erro político": "Ficou a saber-se que o Governo quer substituir Joana Marques Vidal e não tem coragem de de o dizer. É um exercício de hipocrisia".

Catroga ainda p'ras curvas!

Já sobre a recondução de António Mexia na EDP, tendo presentes os diferendos recorrentes dos últimos tempos entre a empresa e o seu líder, por um lado, e o Governo e o primeiro-ministro, por outro, Marques Mendes admitiu que se trata de "uma derrota pesada de António Costa".

Ainda relativamente ao universo EDP, e sobre uma das suas figuras que agora o abandona devido à limitação de mandatos (o ex-ministro Eduardo Catroga), o sempre bem informado comentador da SIC lançou a bisca: "Dentro de dois meses vai assumir um cargo internacional".

Segundo Mendes, Catroga está ainda muito longe da reforma: "Aos 75 anos, está aí para as curvas".

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