Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Rui Rio termina candidatura a pedir vitória e paz com Santana Lopes

HUGO DELGADO

Rui Rio garantiu que as divisões com o concorrente Pedro Santana Lopes terminam no dia seguinte ao ato eleitoral

O candidato às eleições diretas para a presidência do PSD Rui Rio garantiu esta sexta-feira, em Vila Nova de Gaia, que as divisões com o concorrente Pedro Santana Lopes terminam no dia seguinte ao ato eleitoral.

Perante cerca de 200 apoiantes, numa unidade hoteleira, no discurso de encerramento da campanha eleitoral, Rui Rio criticou o Governo, mas manteve aberta a porta do diálogo caso venha a tornar-se líder dos sociais-democratas.

A Pedro Santana Lopes disse "respeitar" o seu direito a candidatar-se e prometeu que no dia seguinte à eleição "acabarão as divisões", mas criticou quem afirmou que o futuro líder do PSD "só o vai ser durante dois anos", numa alusão à declaração proferida pelo antigo ministro social-democrata Miguel Relvas.

No seu discurso, as primeiras críticas foram para o Governo "pelo interior que só descobriu recentemente por causa dos incêndios", prosseguindo depois pelo elogio aos autarcas portugueses, de quem disse "vai precisar, depois de vencer as eleições, para conhecer a realidade do país".

"Não podemos ter a sociedade a pensar de uma maneira e o PSD de outra. A sociedade portuguesa tem de estar representada dentro do nosso partido. Só conseguindo isto conseguiremos vencer", alertou Rui Rio, que quer "uma economia mais competitiva" e "contrária ao modelo que vigora em Portugal".

Reclamando em nome dos jovens que "se querem ganhar 800 euros por mês têm de emigrar", o candidato desejou que nunca mais Portugal "tenha de voltar a chamar a troika" antes de citar o antigo líder social-democrata Francisco Sá Carneiro: "primeiro Portugal, depois o partido".

Por entre as críticas, o candidato repetiu a intenção de "dialogar com todos para, em conjunto, resolver os problemas do país" e lembrou que nunca perdeu uma eleição, quer como estudante, quer na Câmara do Porto e na Junta Metropolitana do Porto. Nesta lógica terminou a dizer que caso seja eleito no sábado presidente, em 2019 "o normal será ganhar as eleições".

Por seu turno, o presidente dos autarcas social-democratas, Álvaro Amaro, num dos discursos da noite, deixou um conselho ao partido a partir de domingo, defendendo que "as disputas políticas devem terminar no dia das eleições", para depois garantir que "vai ser assim no PSD".

Sem nunca mencionar o nome de Pedro Santana Lopes, o orador elogiou Rui Rio por ter "respeitado" o seu passado, considerando que deu "uma lição de respeito pelo passado" no debate político com o concorrente à liderança do PSD.

"O teu passado só deu vitórias ao PSD", salientou o autarca, dirigindo-se ao candidato, para quem Rui Rio "é um líder que privilegia o diálogo" num combate para decidir "quem está em melhor posição para derrotar António Costa em 2019".

Para o antigo ministro de Estado e da Presidência e mandatário nacional da candidatura de Rio, Nuno Morais Sarmento, "o PSD está apenas à espera da vitória de Rui Rio" no sábado, num momento em que "falta bom senso numa época de extremismos".

Justificando o seu apoio a alguém que "tem rosto, passado e que garante o futuro", o mandatário afirmou que olhar para o caminho percorrido por Rui Rio "é notar que não fez nada em que não acreditasse".

  • Diz um: “O vento mudou e ele voltou”. Diz o outro: “Contigo temos de pôr tradução simultânea”. Foi isto

    Ao segundo debate, Rui Rio e Santana Lopes voltaram a trocar muitas acusações sobre o passado e a divergir sobre o futuro: o primeiro defende que o PSD se aproxime de António Costa para afastar o BE e o PCP do poder, o segundo diz que não há acordo possível com este PS. Rio recusou comentar a polémica sobre a PGR; Santana garantiu que reconduziria Joana Marques Vidal. Rio desta vez levou recortes. “O Rui passou a gostar dos tais truques”, ironizou o adversário